agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

quarta-feira, novembro 27, 2013

Outra presença, muitas presenças


Sobre a ação "Pequenas Estações (a gente sempre foi poético)" na Mostra/Exposição OUTRA PRESENÇA no último domingo no MAP:

Cores diversas. Corpos em marcha. Delicada invasão. Baldes, sombrinhas, livros, tecidos, formas e desejos. Encontros. Paisagens nômades. A gente sempre fez poesia corporal na cidade.

Primeira estação: No jardim do museu. Área externa.

Chuva. Uma caminhada lenta. Corpos molhados. Jogo entre os performers. Andar, parar, compor, esperar e sentir. Instáveis fotografias, corpografias e identidades. Tempo dilatado. Sentar, estacionar e contemplar o jardim molhado. Aproximar e distanciar. Estar na presença. Nina, vestida de vermelho, pára e lentamente come uma maçã vermelha. Um quadro vermelho se instaura sobre minha percepção. Performance mínima. Não há algo a se produzir. ESTAR É ACONTECER.

As cores performam, dialogam, encantam, juntam, destacam e capturam a atenção das pessoas. Corpos como linhas moventes. Artes visuais. Sem balde comigo, escolho um conte de trânsito para minha ação. Uma placa de sinalização urbana. Meu corpo sinaliza entradas e saídas. Na porta do prédio do museu me instalo. Eu e a placa. Pode entrar? Pode passar?Pode ocupar?

Em minha memória da pele, volta a cidade em obras, o espaço privatizado e a mobilidade reduzida. Proibido transitar. Brinco com isso. Meu museu-cidade? Uma estranha presença.

Segunda estação: Dentro do prédio. Área interna.

Construção de um lugar. Ouço o som de um enorme plástico azul que percorre o chão. Artes plásticas e sonoras. Escuto vozes: as leituras de textos e poemas para os visitantes do museu. Crio um lugar ali. Retiro os sapatos. Sou branco no cinza. Um tapete retangular. Deito em meu travesseiro também branco molhado. Instante de repouso. Pode deitar?

Tudo me afeta: o olhar das pessoas, os ruídos de vozes ao longe, as cores espalhadas pelo saguão. Descanso. Não há nada a produzir. ESTAR É ACONTECER. O cone ao lado, na frente, atrás, no rosto, na barriga, infinitas possibilidades materiais. Olho em volta: cabanas-casas coloridas. Um acampamento cigano. Não vejo rostos, mas cores. Não vejo performers, mas presenças. Não vejo singularidades, mas multidão. Não vejo presenças, mas ausências. Isso deve ser político! Isso deve ser poético! Isso deve ser estÉTICO!

Calma. Muita calma... Olho o teto. Espaço cercado de vidro. Frederico, de preto, se aproxima. O branco e o preto e no meio uma linha divisória. O mundo se divide em cores? Cores definem uma presença no mundo? Algo nos separa. Jogo, escuta, aceitar e negar essa OUTRA presença? Uma diferença aparece aí. Coloco o cone de trânsito entre nós dois: um limite, um muro, uma cerca. A cidade volta a respirar em mim. O que nos separa?

Mas branco e preto adentram pela avenida de um contorno e se misturam. O outro pode ser outro! Perco o rosto por um tecido preto. Sou multidão feito os Black-Blocs. Uma máscara. Não para representar nada, mas para ser clandestino. Sou MUITOS! SOU TODOS!SOU NINGUÉM!

Busco um jovem vestido de verde que me olha atentamente. A manga branca de minha camisa se alonga. PRESENÇA EXPANDIDA. Ele me segura, eu estico, ele me equilibra, acho que vou rasgar e cair... Conexão. Tensão de corpos. A vida acontecendo na tensão com a tua presença! Algo se alarga, tão distante e tão perto! Até que entro na camisa dele e branco e verde se encontram.

Há uma suspensão! Há uma suspensão: de tempo, de individualidades, de lugares, de significados. Há uma suspeita ação com essas presenças!



Imagem de Luiza Palhares


Esgotado, volto ao chão. Coreografia de um corpo cansado. Das intensidades para as calmas. Testemunho as danças-afeto de outros performers e suas deformações. Eu me movimento com os olhos. A gente sempre foi poético!

Terceira estação: Lagoa da Pampulha.

Um cortejo colorido e lento até às margens da lagoa. Às margens do registro da câmera e da curiosidade das pessoas. No centro da presença. Meditação. Respiração. Performação sem público e com as águas. Sou líquido. Muitas presenças a me de-compor naquela tarde. Agora chovem sensações e vazios. Nada a reter.

Na impessoalidade
Na clandestinidade
Na (in)visibilidade
Na superficialidade
Na outridade
Na liminaridade

A gente ali
foi presente.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Pode crer?


Pode crer!

Clóvis Domingos

Vem pra rua, amor!
Tem algo acontecendo...
Ocupações
Manifestações
de cidadania...
A melodia
agora é de protesto
de revolta
Amor, vem e solta
teu grito
teu rito
de rebelião
vem caminhando, cantando e seguindo a canção!

Vem pra rua, amor!
Tem algo amanhecendo...
Corpos em marcha
Balas de borracha
contra o povo...
É um tempo novo
Vive comigo esse momento
de caminhar contra o vento
sem partido e sem documento!

Vem pra rua, amor!
Tem algo anoitecendo...
Sai da imobilidade
Vem ocupar a cidade
Vem mostrar a tua cara
que é pro mundo ficar odara!

Mas vem pra rua correndo!
Vem viver
esse clamor
meu amor
pode crer!
Pode crer!
Podem crer...

terça-feira, outubro 29, 2013

Eu voz. Eu, vós...


Eu não trabalho no SUS
mas nos sóis
no sós
no nós
no susto
de te perguntar:
como vai o teu amar?

Eu não trabalho num posto
mas entre postes
na posta
restante
do teu coração
Médico ambulante
cirurgião.

Eu não trabalho no hospital
mas na hospitalidade
na proximidade
de uma cidade
carente de amor
mas não me chame de doutor
mas sim de amante
homem instante
poeta escutador!



Eu não trabalho em paióis
mas nos sóis
nos sonhos
socos
somos
todos
intensamente
médico e paciente.

Eu não
Eu sim
Eu voz
Eu, vós

As palavras feito anzóis...


quarta-feira, outubro 23, 2013

Por gente, pungente...


O médico de flores
com poesias
fez curativo
tornou o amor vivo
cuidou de solidões
e doentes sensações:

“Meu coração está no CTI”...

O médico de amores
com curativos
fez poesias
desobstruiu vias
e veias
criou banquetes e ceias:

“Tenho fome de ser amada”...


O médico de poesias
com cores
fez cirurgias
espalhou palavras e alegrias
libertou dores
e sentimentos opressores

“Acontece que não sou mais triste”...



Era urgente
encontrar um paciente
para essa medicina
tão humana
e esquecida:
ouvir histórias de amor e vida

“É tão bom falar”...

Aqui é o médico que pede para se curar!

sexta-feira, outubro 18, 2013

Panfletar Vinicius


Panfletar Vinicius
(poema de Clóvis Domingos com fotografias de Whesney Siqueira).

Da banheira
do poeta
para a poeira
da cidade concreta
e apressada
A palavra
lavrada
manifesta
fez-se canção
na Praça da Estação.

Declamar
panfletar
Entregar
alguns sonetos do poeta
muito além da informação
numa intenção
secreta
a palavra foi liberta.




Da banheira do poeta
para uma cidade aberta
fez-se pausa e interrupção.

A poesia redescoberta
o que Vinicius desperta
é um tempo de comunhão!

quinta-feira, outubro 17, 2013

Médico de Flores - uma homenagem a Vinicius de Moraes


Médico de Flores

Uma bacia
com pétalas de rosa
e poemas de várias cores
como receituário
e remédio
para dores
e amores

Fui médico de flores!

Foto de Whesney Siqueira


Uma travessia
delicada
tão vagarosa
banhada
por pétalas de rosa
e palavras feito flores
numa escuta atenciosa

Fui médico de amores!

Uma alegria
silenciosa
feito Graça

Numa praça
escandalosa
com buzinas e tremores

A poesia saiu vitoriosa
tornou a cidade mais amorosa

Os poetas são curadores!







segunda-feira, outubro 07, 2013

Irmãos Lambe-Lambe no Perpendicular Festival


Lamber a ferida – meu medo está Perpendicular à minha coragem

Estou arrumando casa. Pausa para um café e um momento de respiro. Semana na qual acontece o “Perpendicular Festival : Como Resistir?”. Penso e sinto a ação Irmãos Lambe-Lambe que fiz com Leandro na última quinta, dia 26 de Setembro. Ocupamos o hall de entrada do Sesc Palladium para a realização dessa ação-encontro. Foi uma experiência interessante e agora percebo (relembro) de que saí um pouco incomodado de lá. Avaliando o fato de estarmos dentro de uma instituição cultural e se tal espaço nos havia exilado e afastado um pouco das pessoas da rua.

SIM. Nós é que PROCURAMOS as pessoas para participarem de nossa ação. Nós é que buscamos o con-tato. E isso aconteceu tão fortemente. O que teria me incomodado? Haveria uma sensação de diminuição da potência dessa ação provocada por essa necessidade humana? Haveria em mim alguma expectativa de que esse trabalho fosse assistido, quando na verdade ele acontece com a participação das pessoas? Haveria em mim uma arrogância de artista, de me sentir uma atração e aguardar que fossem as pessoas que se interessassem e se aproximassem de nossa proposta?

Vasculho-me. PROCURO-ME. Pobre super homem!

O fato é que nos des-locamos até os outros, os convocamos, os convidamos para um encontro-conversa. Foi tão bom buscar os artistas participantes do PERPENDICULAR, os visitantes e os funcionários do Sesc. Para os artistas participantes a abordagem foi mais fácil e a nossa ação ficará como um “espaço de memória” com a fotografia revelada e enviada. Uma memória inclusive desse evento acontecido em Belo Horizonte. Agora as cartas ganharão inclusive um destino internacional já que conhecemos performers de outros países.

Nos dirigirmos até as pessoas desconhecidas e que nem sabiam do evento de performance era como nos livrarmos do escudo de Capitão América, adereço lúdico que utilizamos dessa vez numa referência à imagem de resistir como proteção. E sem escudo fomos humildes, humanos e desejosos de inter-locações, inter-locuções e trocas. Foi o Lambe mais íntimo que vivenciamos. Uma ação pública e íntima ao mesmo tempo: confidenciarmos uns aos outros ao que resistimos e com o que nos confrontamos. E por diversas vezes pude expor minha fragilidade e falar dos meus medos. Nossa!!! Será que o ato de me expor também não me causou um desconforto?


 Foto de Fausto Grossi

Será a performance uma confidência pública e íntima ao mesmo tempo? E a reação das pessoas era algumas vezes desconcertante, pois se deparavam também com uma questão pessoal a ser verbalizada para estranhos, nós os Lambes. No espaço da cidade o comum e usual é a informação. Informação é algo funcional, objetivo, direto e civilizado. E civilidade é o comportamento valorizado e esperado para os moradores da cidade. Agora a confidência ou confissão é algo mais subjetivo, delicado e inesperado. Pode ser inoportuno. Pede um tempo maior de fala e escuta. Gera uma hesitação, uma gagueira, um hiato. Confissão sugere confiança. Descobri isso fazendo a ação-encontro!

Escutei tantas outras resistências dos outros e que também são minhas! São nossas. Nesse PERPENDICULAR aprendo que performance também pode ser um ritual de cura coletiva. A cada vez que expus meus medos, mais me aproximei deles, mais nuances descobri, mais marcas, heranças e rostos. Se a gente resiste a gente fica mais escravo. Fui me tornando mais consciente do que sentia e podia inclusive rir daquilo que eu mesmo narrava. Falando para o outro eu me escutava. E deslocava sensações, movimentava medos e descobria coragens. Performar é se vulnerabilizar? Correr riscos?

Não importou se foi dentro ou fora de um espaço institucional, o que contou foi a qualidade do encontro, a delicadeza, as emoções compartilhadas, a fragilidade se transformando em força. Construimos uma Arquitetura do Acontecimento. E ela salva, ela é poderosa, ela merece atenção e respeito. O que nos acontece e como acontece é a grande chave. O artista está longe do super herói que a todos salva e depois se torna um ídolo. A performance me humaniza a todo instante e quebra minhas resistências. Arte que perfura: fere lugares, conceitos, códigos e a nós mesmos.

PROCURO-ME. Era isso. Eu me procurava mais uma vez e precisava da ajuda das pessoas.

PROCURO-ME. PROCURO-ME. PROCURO-TE! E ME ENCONTREI NOS OUTROS! COM OS OUTROS!

Naquela quinta-feira, o Lambe aconteceu pela primeira vez à noite. Um refletor de luz destacava o quadro e a cadeira vazia (espaço de uma instalação) que aos poucos era ocupada pelos corpos resistentes, que brincavam com o escudo infantil performando suas gestualidades para a câmera fotográfica.

Naquela mesma quinta-feira, pela manhã, pela primeira vez em minha existência meu nariz sangrou e senti o gosto de sangue na língua. Susto. Tinha uma performance acontecendo em mim. Lamber a ferida, não para cicatrizar o corte. Mas para saborear a abertura, a rachadura e a aventura de viver!


domingo, outubro 06, 2013

remexendo vinícius

"Arte como vida, arte como mundo, arte como estratégia visual; arte para dançar, para protestar, ou simplesmente como fuleragem. Arte como alívio, arte como percepção e afecto. Outros caminhos: simples perambular que gera arte, parte, anzóis ou apenas jogo de palavras que por remexê-las revela um outro" (Bia Medeiros)




deglutindo vinícius.regurgitando vinicius. dentro do projeto 100 Vinicius, em homenagem ao centenário de nascimento de Vinicius de Moraes, o obscena está realizando a intervenção urbana remexendo vinicius, que se propõe a alterar a paisagem da cidade com poesia.








sexta-feira, outubro 04, 2013

EngaioLados: a clausura estrangeira



O corpo é o corpo – grita Antonin Artaud,

"Existe por si/ E não precisa de órgãos/ o corpo nunca é um organismo,/ os organismos são os inimigos do corpo,/ as coisas que nós fazemos/ amanham-se sozinhas/ sem o concurso de qualquer órgão,/ todo órgão é um parasita,/ cumpre uma função parasitária/ destinada a manter vivo um ser/ que não deveria existir (...) A realidade ainda não está de pé porque os órgãos verdadeiros do corpo humano ainda não estão formados e devidamente colocados." (O Teatro da Crueldade)

O corpo precisa desorganizar-se, pois já não agüenta mais todo e qualquer adestramento, vindo do racional e iluminista mundo exterior ou do assujeitamento interior. Todos os juízos já inventados o acorrentam, mais, mais e mais. E para trazer à tona a potência de resistir do corpo, o que é preciso?  Em uma caminhada lenta pelos arredores do Sesc Palladium, durante o Festival de Performance Perpendicular - como resistir?, lançamos  nossos corpos no abismo do desconhecido e vivenciamos uma intensa relação com o estranho, a alteridade, com aquilo que sempre estará fora do nosso tempo, da nossa consciência, dos nossos eus, dos nossos controles. A rua e o nosso encontro com as pessoas nos ultrapassa, corrompe uma ideia de vida, estará sempre fora do nossos mundos de forma estrangeira, como aquilo que excede o nosso pensar, torna expresso o nosso sentir..

É preciso desmanchar o “eu” cristalizado para que outras forças ganhem corpo, para que então uma outra vida seja possível. É uma operação, uma cirurgia, um desvio de si para que outros “eus” se revelem em ato efêmero e descontínuo, ininterrupto, produzindo uma série contínua de metamorfoses e variações. Somos inclassificáveis e, no percurso da nossa caminhada, encontramos pessoas com as mais distintas reações, encontros cujos movimentos sempre ultrapassam as significâncias já existentes e os controles racionais.

Interessante também  foi um depoimento colhido por Sabrina Andrade e Flávia Fantini, que acompanhavam as ações. Elas relatam uma mulher que nos encontrou no percurso e fez muitas perguntas, perguntas que ela não teve respostas. Lembro de sua primeira pergunta: qual o objetivo disso que vocês estão fazendo? Sabrina e Flávia comentaram que depois do nosso encontro, esta mulher as abordou dizendo ter visto uma câmera dentro de uma gaiola e que esta a gravava, colhendo a opinião e reação do público para montarmos um espetáculo teatral e que o vídeo provavelmente seria exibido no final...

Maquinações! Revolução molecular, revolução de moleque travesso, porque é da ordem do mínimo múltiplo comum. Inventar novas operações: para correr o risco é preciso riscar! Para que os mares abram, é preciso entrar. É preciso desterritorializar e reterritorializar o nosso pensamento num contínuum. Tornar a vida mais sensível tem disto.

quarta-feira, outubro 02, 2013

Ainda sobre o Sonoridades Obscênicas


Uma “conversAÇÃO” ou “conversa-sensação” com uma artista-pesquisadora sensacional, com quem tenho o prazer de estar sempre conversando e trocando: Débora Fantini. Ela escreve e pesquisa sobre arte pública, corpo, cidade, política, filosofia e manifestações artísticas periféricas.

Aqui nessa postagem faço uma colagem de nossas impressões e sensações sobre o Sonoridades Obscênicas. Uma forma de tornar pública uma pequena conversa. Desejo de proximidade com pessoas que acompanham nossa pesquisa.

27 de Setembro:

Débora, tudo bem?
e então? o que achou do sonoridades obscênicas? o que sentiu, percebeu? vamos comentar e trocar? bjos, clóvis.

28 de Setembro:

Ei!

Eu me senti muito bem no sonoridades! Foi divertido, me fez rir, cantarolar e dançarilar na cadeira, ficar alegre. Acho que tem a ver com aquela ideia de party-cipação - mesmo pra alguém que tava na plateia,sentado na cadeira.
 
A Joyce brincando com a enxada, a vassourinha, a coreografia dos mascarados, o diálogo no celular, os textos, o anjo observando de fora (de repente, eu pensei no Guernica!?), as músicas, os remixes, as tecnologias digitais, as dublagens, os cartazes, as pixações, os classificados etc etc etc Cada um, todo mundo. É tanta coisa que até me esvaziou, sabe? Não no sentido do Guernica, dessas imagens que nos esvaziam de tanto preenchimento, sem deixar lugar pra nós, pra nada. Mas de não me encher de significado. Sabe? Não me enche!

Bem, vazio também no sentido de não ter assim uma análise crítica pra fazer, pelo menos não agora (sem que possa prometer uma pro futuro). Fiquei feliz de finalmente ter visto o obscena ao vivo de novo, porque só tinha visto o baby dolls numa marcha de dia dos mulheres (se bem que também dancei no Dançar é uma revolução duas vezes, e tb foi desse esvaziamento bom).

Ah, uma coisa: acho que no sonoridades ficou mais perceptível o que é essa "forma" do agrupamento...
Beijo

Débora

28 de Setembro:

Débora querida,

obrigado pelo comentário. Você escreve tuas sensações e sensação é algo poderoso demais porque é sensibilidade e corpo. Escapa da racionalidade e pensamento crítico. Três palavras/expressões tuas me capturaram: alegria, esvaziamento e forma. Gosto de pensar nisso: alegria é potência. Esvaziado é espaço livre, inclusive a várias percepções e leituras. Livre também de uma imposição conceitual. E forma é contorno, entorno, jeito de fazer e circular. Uma forma livre e esvaziada (por isso alegre) que cada um pode ocupar de acordo com seu desejo. Tão bonito isso!!!
A imagem do GUERNICA que você menciona é muito engraçada. Busquei a imagem e ao vê-la também vi (revivi) ou "re-vi e vi" aquela noite do Sonoridades. Uma dimensão de excesso, formas, misturas, geometrias e espaços. Além de expressões, gritos, sobreposições e algo que parece que nos devora. Tudo tão junto que fica difícil ver os detalhes. Lembrei de uma expressão "recepção tátil".... será que foi isso que aconteceu com você naquela noite? A experimentação sonoro-corporal perfurou teus poros e tua pele? Para mim foi um momento de libertação e alimento. Algo se moveu em mim, sobre mim, além de mim, com os outros, com o espaço, com a cidade, com as forças, com a vida, com a arte.
Foi uma delícia dançar com você e mais, já te encontrar descalça e tão disponível. Bailamos. Naquela "noite de baile, balé, bala,balada e bafo" certamente ficamos mais felizes!
Um abraço e obrigado pela troca, clóvis.





domingo, setembro 29, 2013

Novas (velhas) sonoridades obscênicas da cidade


Novas (velhas) sonoridades obscênicas da cidade - texto escrito antes da apresentação do dia 25:

Voltamos à alegria dos corpos que dançam, cantam, giram e inflamam. Mais um novo convite do CCUFMG para uma apresentação do “Sonoridades Obscênicas”. Tudo começou há dois anos com um convite do mesmo CCUFMG para participarmos do “Música e Poesia”. E agora, o que trazemos de novo e o que mantemos? Quais seriam as novas sonoridades e gestualidades da cidade?

Entre conversas e experimentações (que foram muito poucas, mas urgentes e intensas) surgiram novos quadros/paisagens cênicas: vamos abrir com “Cidade em obras” uma polifonia de sons de construção, meio canteiro de obras, remetendo às eternas intervenções estatais que acontecem na cidade e dificultam nossa mobilidade. Objetos como vassoura, cones de trânsito, ferramentas e apitos revelam esses sons e barulhos que se tornaram nossos infernais companheiros nos últimos meses. Além de formarem instalações cotidianas provisórias sinalizadoras de impedimentos de trajeto corporal pelos espaços. Então a Av. do Contorno se tornou, por exemplo, Av. do Transtorno. Espaço e tempo transtornados e alterando nossos fluxos e humores.

 Foto de Clóvis Domingos

Uma nova sonoridade a ser destacada agora: a multivocalidade urbana dos protestos e manifestações que aconteceram na Jornadas de Junho em várias cidades brasileiras. Escrevi e lerei o poema-manifesto “Pode crer” que será acompanhado depois de um trecho de “Opinião” na voz de Nara Leão e corpos marchando com cartazes em branco. Uma provocação, pois podem ser lidas diferentes mensagens, ao mesmo tempo que pode significar ser apenas um momento em branco, uma folha perdida, uma onda que passou... Será?

Nos “classificados da cidade”, com a leitura de Clarissa e Admar, surgiu uma máquina corporal-sexual coletiva com corpos encaixados e excitados, formando uma imagem muito interessante. Eu, como o Anjo, farei poses religiosas (fechar os olhos/tapar os ouvidos/calar a voz/gesto de clamor e perdão por aqueles “pecadores”) e depois encarnarei a “ordem e a moral” tocando um sino e interrompendo aquela orgia, feito a madre superiora quando flagra as crianças brincando sexualmente nos corredores do colégio interno. Um misto de controle/descontrole/descontrola.

Outro momento re-inventado: o da “homenagem ao Wando”, que brincaremos com o trocadilho “vândalo” e falarei que falta eros na cidade, falta prazer no Poder, e por isso nos jogam gás e pimenta quando queremos “transar” com o espaço público. E nós jogamos calcinhas como símbolos de alegria e festa. Corpos que desejam gozar e transformar! Chega de PM (polícia militar), queremos PA (polícia do Amor).

Lissandra trouxe um poema tão raivoso para ler e de repente Joyce, a DJ, soltou um som: “calma” e disparamos a rir feito loucos, num momento de epifania pura, acontecimento, acaso e encontro. Foi uma quebra fantástica, uma aparição, subverteu uma paixão triste. Um tempero maravilhoso. Uma linha de fuga. Flávia deseja dar uma repaginada em nossos figurinos. Vem luxo por aí!!!

Continuaremos cantando pontos de macumba porque neles reverenciamos as entidades protetoras das ruas. Penso que a macumba, a oferenda na esquina (coisa rara de se encontrar hoje na cidade tão asséptica) também é uma instalação, um dispositivo cênico, plástico e de importante teor político diante do perigo de uma cidade considerada somente cristã. E nessa hora lembro da ação “Salve Padilha, Cheia de Graça” que realizo com a Erica Vilhena há três anos consecutivos. Pelo menos uma vez por ano acontece uma caminhada vermelha pela cidade. Poetizar espaços pela violência aos símbolos cristalizados e instituídos. Violentar representações mercadológicas e patriarcais da mulher, dos corpos e da própria gestualidade civil e cordial ( usamos máscaras sociais) da cidade.
Penso que esse trabalho de experimentação cênico-musical promove algumas “práticas de visibilidade” contra a violência e o silenciamento impostos aos corpos. Seja pela repressão sexual, moral, governamental e policial. Somos corpos proibidos!!! Sonoridades é festa, êxtase, excesso, catarse, deboche e libertação. Carnaval fora de época programada pelo Estado, mas vivenciado por corpos indisciplinados no agora de nossas existências.

Sonoridades é um terreiro (de samba e de umbanda), caldeirão mágico, espaço da alegria e brincadeira, do prazer para corpos que se encontram, se afirmam como demasiadamente humanos, famintos e potentes e se “está ardendo, não assopra”. Mas deixa queimar...

sábado, setembro 21, 2013

Sonoridades obscênicas no CCUFMG na próxima quarta-feira

Na próxima quarta, dia 25 de Setembro, às 20h acontece mais uma apresentação do "Sonoridades Obscênicas" agitando a pista do CCUFMG. Um pocket-show que transita entre a poesia erótica e política e o bloco na rua, entre o concerto de celulares e os pontos de macumba, entre a cena teatral e a cultura pop.


Uma viagem sonora e corporal pela cultura brasileira sem preconceito de qualquer registro de gênero, raça ou classe. Um momento para ser feliz!!!

quinta-feira, setembro 19, 2013

como resistir?

no dia 26 de setembro, o obscena participa do Perpendicular - Festival Internacional de Performance, com mostra de trabalho e realização de ações:


maiores informações sobre o festival em: http://wagnerrossicampos.wix.com/comoresistir

sábado, setembro 14, 2013

Transbordamentos

AdivinhaaDiva, à convite do Conselho Regional de Psicologia, deu-se no Centro Cultural Casa África, em Belo Horizonte/MG, dia 23 de agosto de 2013.

Agonia - Wikipédia: Agonia é o conjunto de fenômenos que anunciam a morte (do grego agonia= luta; entende-se luta "contra a morte"). Tem duração variável e caracteriza-se pela imobilidade e alteração das feições, por estertor ruidoso de que o moribundo parece não ter consciência, perturbação dos sentidos em geral, lividez, secura da língua, fraqueza do pulso, extinção gradual do calor animal da periferia para o centro. A respiração é difícil e imperceptível, parece à primeira vista ser a última a terminar, sendo talvez por isso que geralmente se emprega expirar como sinônimo de morrer; mas, na realidade, o coração merece o epíteto que a ciência lhe deu: ultimum moriens. A agonia pode ser tranquila, mas quase sempre o moribundo é agitado por movimentos convulsivos, mais ou menos violentos: o delírio pode ser contínuo e intermitente. Um período de aparente serenidade precede o termo final. É a melhora da morte, segundo a frase popular.

Mas não, não se trata de agonia. Pelo contrário, trata-se de uma afirmação da vida, de uma resistência, de um corpo que não aguenta mais o peso das normas e dos padrões. Eis o lugar onde reside a verdadeira violência. Violência massiva sobre corpos e subjetividades. Mas que força resiste? Como inventar para si um corpo sem rosto, sem programações, livre e alegre? Na face, o que se dá é desmanche, é delírio das formas para que sobressaiam as forças. São raios, são vulcões moleculares que explodem sem significar nada. Não quer dizer nada, nada a alcançar. É simplesmente uma viagem, uma troca com aqueles corpos presentes. Escutávamos Carmen Miranda, a notável brasileira engolida pelo capitalismo, que teve seu coração infartado pelas máquinas de calcular. Redimensionando tudo, Carmen cantava para os menores que se inventam livres do peso de uma racionalidade que não dá conta de traduzir o que nossa loucura consegue tornar expresso.

sábado, setembro 07, 2013

Reflexões sobre um cooper feito


Reflexões sobre um cooper feito:

- sobre a cooperformance: Gostaria de destacar dois tipos: 1) “Como melhorar sua performance corporal? Exercício, disciplina, esforço e controle. Mas corra atrás de um corpo perfeito. Pratique cooper. Um cooper feito é um certificado de inclusão social. Corro, logo existo? Assim você se torna confiante novamente? Não importa se submisso, adaptado e obediente. O que importa é o fato de que a cooperformance te abrirá muitas portas!” 2) O que pode uma invasão de corpos dissonantes performando uma ação ( o “correr”) tão naturalizada? Desconstruí-la? Tentar denunciar/revelar camadas invisibilizadas? Colocar para correr/movimentar outras correntes de oxigênio e percepção? Libertar a vida de um certo estrangulamento e asfixia? PerFormar a diferença?

- sobre o lugar: a Praça da Liberdade é um belo cartão postal da cidade. Praça asséptica, bem vigiada, sede do Poder, espaço privatizado. Haveria ali lugar para corpos híbridos e marginais?

- sobre a ação do cooper: pessoas se exercitam e alimentam o Espetáculo da Saúde. O corpo “saudável” ali tem seu cenário perfeito. Mas o que pode uma invasão de corpos dissonantes? Figuras estranhas à aquela arquitetura tão nobre? Produzimos estranhamento? Éramos corpos (des)locados (sem lugar) para aquele tipo de ambiente? 



 Foto de Whesney Siqueira

- sobre a natureza dos corpos: Corpo indígena magro mestiço com placa/pedido-mendigo “não queime”. Corpo lona preta lixo ambulante humano. Corpo prótese mulher cachorra bunda de fora. Corpo transexual viadagem durante um dia ensolarado? “Homofolia declarada” não é crime? Não serão essas figuras seres da noite? De uma outra hora para existirem? Habitantes de lugares outros? Mendigos, indígenas exóticos e hippies ficam bem na Praça Sete. Mulheres cachorras na Rua Guaicurus no baixo centro. Travestis no alto da Av. Afonso Pena. Corpo barriga saliente de homem macho com toalhas vermelhas em poses femininas? Bem... em algum hospital psiquiátrico! Danos ao “medo ambiente”? Consulte o normal-maps. Transgressão de códigos? Corpos desocupados? Denuncie na polícia ou na prefeitura.

- sobre a ação de correr: caminhar, exercitar e trotar, parecíamos animais domesticados. Cores berrantes. Teatralidade. Heróis fugitivos de algum filme “trash”? Ainda existe espaço para a diversidade na cidade? Correr muito, cansar, parar, instalar um “corpo-monumento-momento” numa praça tão verde, zona sul da cidade. O que pode uma invasão de corpos dissonantes? Afetar? Provocar? Tornar risível uma ação cotidiana e tornar visível um corpo bizarro?

- sobre a participação no evento do Conselho Regional de Psicologia: Como fazer de uma participação uma PARTY-cipação? Party como festa. Festa como uma política de fazer arte respeitando primeiramente nossa necessidade e desejo. Festa como uma TAZ - zona autônoma temporária. Como operar de uma forma que uma ação provocativa e crítica não seja capturada como uma apresentação artística para entreter uma suposta plateia? Engordar mais ainda a Sociedade do Espetáculo? Como ir na contramão de um cortejo ou caravana do batuque? Como fazer de um convite externo (com questões tão urgentes e abrangentes para nosso tempo: as dos Direitos Humanos) uma possibilidade de experimentação artística e de interesse de um coletivo? Como migrar do perigo de uma “banalização” para uma “indignAÇÃO? Como instituir um espaço de generosidade/escuta para que um encontro de desejos (entre quem contrata e quem é “com-tratado”) se estabeleça e através de uma “poética da proximidade” se descubra pontos convergentes, táticas de ação, conceitos pré-estabelecidos e possíveis provocações/aprendizagens? Há o lugar do artista, o da instituição e o da cidade. Lugares-rede. Como criar “entre-lugares” com espaços arejados e livres para se gaguejar e conversas para não se entender? Como fazer de um contrato um “con-tato” que realmente potencialize a todos?

- sobre a produção de um discurso ou des(curso) e a invenção de um percurso: Como atender à expectativa de um convite feito por um evento produzindo linhas de fuga? Como não produzir discursos com significados, mas EXPERIÊNCIAS pela força de presenças, encontros e acidentes? Escapar das nomeações. Substituir: “o que é isso?” por “o que tem/acontece nisso”? O que é mais importante: comunicar uma mensagem ou provocar uma pluralidade/heterogeneidade do pensar? Como sairmos do império da cognição para uma política da percepção? Por que ainda: “faltou isso?” ou “poderia ter tido isso?”, se é essa propagada e enganosa “falta” que nos faz correr tanto atrás de alguma coisa que nem sabemos, mas que nos é cobrado? O “mercado da falta” estava satisfeito sentado num banco da praça assistindo a nossa corridinha saudável?

- sobre o que é um corpo canônico: onde? Como? Eu não consegui atingir ainda. Estamos num cooper diário atrás dele? Qual é o ideal disso? O que diz um corpo musculoso: força, beleza e saúde? Fetiche? Cartão postal? Sucesso? Valorização no mercado da imagem? O que colocamos para correr nessa ação? Quais indignações subjetivas? Quantas calorias perdidas? Na Praça da Liberdade correm os escravos todos os dias? Todos correndo atrás do mesmo biotipo de corpo? Quem vai chegar ao pódio? Quem quer participar do “Medida Certa” do Fantástico?

- sobre a gênese da ação e o agrupamento de criações: o nome e proposição dessa ação foram sugeridos por Saulo Salomão em 2011, mas só realizamos agora. Fizemos depois “Corpos Proibidos” (ação coletiva) e tem também uma mistura de experimentações como: “Classificação Zoológica da Mulher” (Nina e Lica), “Espaço do Silêncio” (Nina), “Adivinha a Diva” (Matheus), “Te vejo em fotografia” (Saulo), “Parangolé Coletivo” (Leandro) etc. E consequência também de uma série de conversas entre os pesquisadores. E também de uma série de cobranças e frustrações cotidianas por não atingirmos o corpo perfeito. Cada um de nós já internalizou os “vigilantes do peso?”

- sobre as reverberações ou o depois da experimentação: queremos mais. Podemos mais!? Matadouro. Suadouro. Vitrine das carnes. A lona arrastando no chão. O som da lona compondo com o som da corrida compondo com a respiração dos corpos. O som harmonioso dos pássaros compondo com o esforço ofegante dos corpos. Corpos que sofrem. Disciplinados. Um bando de corredores adoecidos? Um bando de pássaros nas árvores rindo de nossa corridinha matinal? Corpos humanos em marcha? “Marcha soldado cabeça de papel, se não marchar direito vai preso pro quartel”. Somos todos soldados anônimos? Sim, senhor! Não, senhor! A “vida militar” estava de prontidão na praça vigiando a nossa corridinha saudável?

- sobre essa lista de notas: elas resultam de sensações e observações partilhadas em mesas de bar, impressões a partir das fotografias de Whesney Siqueira, leituras diversas, sessões de terapia, tempo livre e momentos de muita dúvida. Arte responde ou PERGUNTA?


domingo, setembro 01, 2013

Nova edição da REVISTA PERFORMATUS

A sexta edição da Revista Performatus (http://performatus.net/edicoes/6/) já se encontra on-line!!! 

Nesta edição há a publicação de um ensaio meu: "É o performer um imigrante?"

Essa revista é muito interessante e repleta de ensaios, imagens, estudos, traduções, resenhas e entrevistas abordando o universo da arte da performance.

Confiram e divulguem, por favor!