agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

segunda-feira, novembro 28, 2016

tese de doutorado sobre o OBSCENA

Mais uma tese de doutorado em Artes que investiga o trabalho do Obscena:


"ENTRE A METRÓPOLE E A CIDADE SAGRADA:
 UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE O OBSCENA- AGRUPAMENTO INDEPENDENTE DE PESQUISA CÊNICA ( BELO HORIZONTE) E O GRUPO TRANSEUNTES ( SÃO JOÃO DEL REI)

MARCELO  EDUARDO ROCCO DE GASPERI ( UFMG- 2016).   




domingo, novembro 20, 2016

Falando do Obscena amanhã

amanhã farei na ocupação estudantil do CEFET uma comunicação dentro do evento "COLÓQUIO CORPO POLÍTICOS: RESISTÊNCIA E OCUPAÇÃO". Momento urgente para se discutir novas redes de criação, organização, política e produção de corporrealidades.

Todxs convidadxs!!!!

Meu tema: "Literaturas ambulantes e corpos poéticos na performance urbana Cadeiras ((OBSCENA/BH)"



o que pode uma visita? Uma visada? uma outra vista?

Pode a visita ser uma forma de pesquisa, nomadismo, alteridade e encontro com outros modos de existir, agrupar, criar e resistir?

Sinto necessidade de novas andanças, "em-danças" com aquilo que não sei, não conheço, mas preciso experimentar!

Andar para presenciar processos de criação artística e social, cidadã, me co-implicar com histórias outras!

Visitar e trabalhar com estudantes secundaristas de uma ocupação escolar e juntos inventarmos ações poéticas. Isso será uma política do corpo?




Visitar um ensaio e um processo de criação e conversar sobre ele, trocar, aprender, contaminar....

Isso é rede, roda, rua, rodopios criativos, rota incerta.....

Isso para mim OXIGENA práticas, saberes, conceitos, desejos, percepções, imagens.....

Isso para mim é praticar a cidade!!!!!! Deslocar, sair de casa, sair da toca, do dentro para o fora.

Aberturas, brechas, fendas, afetos....

sábado, agosto 20, 2016

sonoridades maravilhas

Hoje novamente voltamos a incendiar a Casa de Passagem!

Sonoridades maravilhosas... maravilhas.... com direito à homenagem a eterna criança Elke Maravilha.



Num tempo de forte conservadorismo vamos cantar Lidoka ( As Frenéticas), Elke, enfim, mulheres sempre à frente do tempo!

A atualização é um dos vetores principais desse nosso show-experimentação. Então como não ensaiamos, vamos colocar gravação da Elke e propor um forró bem gostoso, bem corpo- a-corpo mesmo!

Vai ser bapho! Delicia! Maravilha!

é o que maravilha podemos fazer hoje... na urgência!!!!!

segunda-feira, junho 20, 2016

O que somos capazes de imaginar juntos?

Queridos obscenos,

No último sábado aconteceu o IV Seminário Subtexto em Diálogo (promovido pelo Galpão Cine Horto com organização de Marcos Coletta) com a proposta: “O TEATRO POLÍTICO NO AGORA: TEMÁTICAS E EXPLORAÇÕES ESTÉTICAS URGENTES”. Um dia inteiro com discussões e conversas muito inquietantes e ricas. Estávamos lá eu, Nina, Fred, Matheus e Saulo e vários artistas-pesquisadores que fazem parte de nossa rede obscena.


Seria muito importante depois reservarmos um tempo para estender esse encontro com todos do agrupamento!

Imagem de Saulo Salomão 


Na mesa redonda “POLÍTICAS, ENGAJAMENTOS E IDENTIDADES NA CENA CENA BELORIZONTINA” pude falar e pensar um pouco sobre nossos modos de fazer, ocupar e agir na cidade. Não representei ninguém, falei por mim, mas de alguma forma ecoei essa voz meio “multidão” que também sinto ser nossa.


Então foi impossível não falar em rede, colaboração, corpo, cidade, cena expandida, resistência, espaços comuns, coletivo de pesquisa, o político nos modos de fazer, o político como interrupção, a “desaprendizagem” como aprendizagem, os desejos individuais e coletivos, arte como pensamento, as perguntas mais do que as certezas etc.


E agora me vejo ainda pensando sobre tantas outras questões que surgiram coletivamente nesse debate: como disparar novos acontecimentos? Como vincular minhas necessidades às tuas? Por quê fazer arte coletivamente? Como fazer da opressão uma linha de fuga para a criação? Como de fato fazer arte ser algo público e que dialogue com a vida social e não apenas nos guetos artísticos?


Contei das nossas ações festivas como esse possível lugar de participação e afirmação dos espaços comuns. E também dos conflitos que não devem cessar. Das nossas práticas como “agonísticas” no sentido de serem combates temporários numa cidade ameaçada a se tornar hegemônica, isto é, com discursos unitários, pretensiosamente harmoniosa, e livre das contradições, pluralidades e lutas que a configuram de fato como espaço polifônico, multidiscursivo, território multi-subjetivo.


Penso que fazemos uma obscena: uma “cena atravessada”, não murada ou protegida, com presenças e desejos sempre potencializados, vulnerabilizados e ressignificados pelo CONTATO com os outros. A EXTERIORIDADE como política.


Somos um coletivo flexível, conflituoso, contraditório, estranhamente durável, que com o passar do tempo temos tentado criar formas de imaginação coletiva para nossas práticas de criação e para a cidade. Somos processuais, precários e desejosos. Somos cena expandida porque nos vejo como “fios soltos” dessa rede obscena fazendo coisas muito próximas e ao mesmo tempo diferentes, em lugares outros: sejam grupos, instituições, espaços, eventos etc.


Somos imaginadores, fazedores e tumultuadores!


Tumulto: desestabilizar conceitos, lugares, certezas, caotizar para liberar vida e pensamento, fazer micropolíticas. Contra as forças que tentam privatizar arte e espaço, que possamos continuar corpos públicos e festivos a instaurar espaços de resistência, políticas na ágora e no AGORA!

Abraços,

Clóvis.



domingo, junho 19, 2016

Conversas sonoras e obscenas

Diálogos com Matheus
CLÓVIS: kkkkkkkk
Começou....
TEUS: ok!!!
CLÓVIS: Eu fiquei pensando se o sonoridades seria uma pesquisa.
TEUS: pra mim já é
CLÓVIS: De quê?
TEUS: de desembestar
Os corpos
todos desembestam, a meu ver
fio de ariadne
CLÓVIS: Sei....
Como assim?
TEUS: andamos entre a loucura e a arte
entre o teatro e a vida
CLÓVIS: Legal....
Tem a produção da alegria
TEUS: sim, vc conhece esse conceito de alegria que a Patrícia Ayer traz?
vou colar aqui:
ta na minha dissertação
NORONHA, Patrícia Ayer de. Uma perspectiva dionisíaca no trabalho social: afirmação da vida. Psicologia em Revista, Belo Horizonte. 10. v., 14. n., dez., 2003, p.134. “Segundo Deleuze, é a alegria que faz fugir à peste da servidão a qualquer tipo de poder transcendental: do Modelo, do Método, do Tirano e do Sacerdote, do Eu, da Especialidade, do Estado, do Bem, do Ideal de Verdade, do Igual. Potência que não tem representante, nem governante, avessa a qualquer forma de opressão; é a força propriamente política, autogestionária e instituinte das formas de subjetivação, das relações e das práticas sociais potentes.”
CLÓVIS: Que forte!!!
TEUS: uma ótima relação com a performance né
CLÓVIS: Sim.....
A festa como modo de existência
sim!!!
Fora da produção capitalista e do trabalho dos corpos
TEUS: tudo haver com a gente
CLÓVIS: Sim. E também fico pensando em como produzir festa na rua....
TEUS: carnaval?
CLÓVIS: O show é pago e para um público bem específico...
Consumidor mesmo
TEUS: sim, se bem que o público da gruta é diferente dos CCUFMG
mas na rua....
tudo seria mais intenso
e o jogo seria ainda mais arriscado
CLÓVIS: Sim. Mas na última vez lá na rua as pessoas chegaram e dançaram
E agradeceram os poucos momentos
Isso me marcou
Gente de fora da gruta..
TEUS: talvez valha a pena pensar num show no lado alí de fora da zona last
CLÓVIS: Ou mesmo começar o sonoridades numa esquina da gruta... Cantar pra rua, pros moradores dela....
TEUS: isso é lindo
CLÓVIS: Me incomoda, bem meu isso, fazer apenas para um público pagante....
Não pelo dinheiro, mas porque acho que na rua à vulnerabilidade é maior
TEUS: não me incomoda, porque preciso de dinheiro e é isso que tenho e sei fazer
sim
sem dúvida
é um terreno sem chão!!!
CLÓVIS: Mas a questão seria mais de se afetar pelo Fora....
Pensando nossas ações como experiências do Fora.
TEUS: claro, a rua vai sempre nos abalar mais
CLÓVIS: Ou conciliar um pouco sabe? Tenho percebido a prática artística urbana como exterioridade
Ir de encontro à ela....
Não sei se é possível
TEUS: acho que este Fora do meu eu, da minha consciência, do meu controle
é a rua
CLÓVIS: Sim.... Ou talvez porque estejamos nesse momento mais investindo no show...
TEUS: se a gente consegue atingir esse Fora em nós mesmos conseguimos entrar em conexão com essa exterioridade
CLÓVIS: Pode ser... Vou pensar mais.
TEUS: por isso gosto tanto do seu descontrole no último show
CLÓVIS: Nossa. Ia falar disso
Não era eu mesmo
Kkkkkk
TEUS: às vezes sinto que uma certa preocupação teatral, com uma arte profissional e não amadora pode empobrecer totalmente o acontecimento
amo o descontrole
CLÓVIS: Sim... Foi incrível, porque eu entrei num fluxo Dionísio
TEUS: o seu no último show criou, pra mim, mais conexão com o pessoal da platéia
Talvez... Descontrole
acomodou mais as pessoas, eu acho
CLÓVIS: E incomodou aos obscenos
Kkkkkkk
TEUS: sinto que quando paramos para refletir sobre o show, surgem certas exigências que, a meu ver, são de ordem mais teatrais
CLÓVIS: Eu desembestei!!!!
Kkkkkkk
TEUS: me incomoda, parece "os especialistas"
acho mesmo!!! desembestou total
lindo demais
CLÓVIS: Mas essas tensões são interessantes, geram questões vivas
TEUS: sim, as questões são mesmo
CLÓVIS: Eu não acredito em acabamento ali
e tensões
sim!!!
Pra mim é mais acontecimento!!!!
Desorientação dos sentidos pra produzir outros modos de vida
TEUS: lindooooo
pra mim tb
CLÓVIS: Mas o teatral sempre estará nos rondando....
A cena?
Eu quero a obs, cena
kkkkkkkkkkk
Para além da cena. Será possível ?
TEUS: teatro da crueldadeeeeeee
o duplo é uma existência outra!!!
a DObra!!!!
CLÓVIS: Pra mim a participação das pessoas conta muito.... Produzir festa coletiva.
O Wallace veio e traz questões ótimas
Corpo coral, atuador, espraiar presenças
TEUS: Maravilhosas
CLÓVIS: Sim.... Eu me sinto diluído com todo mundo.
TEUS: Estamos criando novas misturas festivas
CLÓVIS: Sim.
TEUS: Impuras e marginais
Mas que tocam no cerne das questões que mexem com todos
CLÓVIS: Sim. E tem a afetação recíproca né?
Acontecimento
Depois quero partilhar com você um texto sobre o descontrole do público....
Vou te enviar depois!!!!
Deu dez minutos. Obrigado!!!!


terça-feira, junho 14, 2016

Vocabulário [hilário] do show SONORIDADES OBSCÊNICAS

Do ANIVERSÁRIO de cinco anos apresentamos agora:
Um confabulário
Um obsceno abecedário
Um pornografário
Anedotário
Incompleto
Incerto
Incorreto
Expressões de um pornocenário
Um sexual inventário:


ALEGRIA: verdadeira política que transforma a vida e o mundo. “É melhor ser alegre que ser triste”.


ANTROPOFAGIA: devorar a noite, devorar corpos, alta antropofagia: comer o outro, misturar coisas, inventar possíveis, descolonizar lugares e conceitos.


BAPHO SONORO: diante à ameaça de asfixia, um sopro de vida, baforar, cheiro de boca sedenta, respirar outros modos de ser, estar e existir. Gemer, contrair, gozar, insuflar “ar quente” numa cidade fria.



BOCKET-SHOW: show que é gerado pela boca que produz sons, gemidos, gritos e canções. Performance oral. Performance teatral: mas não é beckett, é bocket. Não é “fim de festa”, é festa o tempo todo, meu bem!!!!


CABARÉ: algo musical, dançante, excitante, pulsante, escaldante, insinuante....


CARDÁPIO: daquilo que se oferece, se pode beber, comer, cantar, nutrir. Quanto mais variado e colorido melhor. Daquilo que fica exposto durante o show, roteiro, nada a esconder.


DIVERCIDADE: de se ver a cidade, diversidade de sons e propostas e desejos.


EXPERIMENTAÇÃO: o tempo todo, sempre, motor do acontecimento.




ÊXTASE: se perder, se encontrar, abandonar, corpo em vida, ritualizar a existência, celebrar os encontros.


FESTA: a grande busca, a instauração, o ócio, o desregramento, a linha de fuga para dias tão difíceis, a afirmação da existência, uma política que afeta, congrega, junta e mistura as diferenças.


GRUTA: nosso espaço, escura, úmida, misteriosa, tem que adentrar nela para se sentir o que é.


INÊS BRASIL GAMESHOW: graças a Deus, aos deuses, meus irmãos, essa noite pró- METE!


INFESTAÇÃO: contaminação, multidão, festa em ação, proliferação, estado de alegria, vida que a(bunda).


JOGOS SENSUAIS DE VERÃO: quanto menos roupa melhor!


MACUMBATUCADA: criamos um terreiro performático, sonoro, africano, ancestral, contemporâneo, poroso, clama forças e renova energias.


PERFORDANCE: corpo que balança, gira, roda, se relaciona, sua, desempenha, se refaz, cansa, potencializa, dança dos nervos, das sensações, das peles.


RYTO PÕE(SIA). Poesia visual, oral, corporal e ritual. Põe vida na vida, coloca fogo no corpo, põe, pão, pau, pêlo, puxa, pega na cintura, põe devagar agora, pula, “pilha humana”, pele arrepia, peste que contamina, poros abertos.


RUA: o que nos move, nos atrai, nos forma, nos des-loca, nos enlouquece, nos coloca em perigo e descoberta, nos traz encontros, nos revela diferenças e possibilidades, nos devora, nos acaricia, lócus para se fazer arte sensível. Dela recolhemos essas sonoridades obscênicas e benfazejas.


TEATRO DE REVISTA:  passar em revista fatos políticos e sociais do momento, mistura de linguagens artísticas, diferentes números e quadros artísticos, tem rebolado, o duplo sentido, a paródia, o sexual, a ironia, o kitsch, o grotesco, o carnavalesco, no final a APOTEOSE.


TRANSA: corpo a corpo, contato, troca, evento, encontro sexual e poético.




TRANSCEDANCE: aquilo que transcende, acende, vai além, transtorna, dança dos sentidos.


TRO(PICA)LIENTE: show tropical, brasileiro, saliente, ardente, gera calor nos trópicos baixos, tem pau-brasil, tem pica-pau.


TUMULTO: arruaça, confusão, caos, desordem, aglomeração. Barulho excessivo. Pode estar nos espaços da cidade. Quando aparece ameaça à ordem e aos bons costumes e a polícia é acionada. Em nosso show ele é sempre bem-vindo, às vezes provocado, já se faz presente nos ensaios de preparação.





VERMELHO: nossa cor predileta. Lembra sangue, paixão, calcinha, batom, coração, motel, intensidade. 

(Imagens da querida Marúzia Moraes)

domingo, junho 05, 2016

SONORIDADES chegando!!!!

Chegou a hora de botar nosso bloco na rua!

Dia 11 de junho na Casa de Passagem comemoramos 05 anos desse delicioso show!!!!


TODOS CONVIDADOS!!!!!!!!!

terça-feira, maio 24, 2016

Série de entrevistas sobre o OBSCENA - para a tese do pesquisador Marcelo Rocco

AGRUPAMENTO OBSCENA (respostas CLÓVIS DOMINGOS)

·         QUAL O PERÍODO DE SUA ENTRADA NO AGRUPAMENTO?

 Participo do agrupamento desde 2008 até hoje. São 7 anos ininterruptos de aprendizagens, trocas, criação de projetos e ações artísticas, pesquisas e conversas muito instigantes com diferentes parceiros, e todo esse conjunto de fatores certamente me sensibilizou para as relações entre corpo, arte e espaço público.

·         QUAL (QUAIS) A(S) MOTIVAÇÃO (MOTIVAÇÕES) INICIAL (INICIAIS) QUE LEVOU VOCÊ A PARTICIPAR DO AGRUPAMENTO?

 Primeiramente por ser um espaço de produção de pesquisa, um grupo de estudos e um ajuntamento de artistas e provocadores com os quais eu já dialogava desde a UFOP, onde me graduei no Curso de Artes Cênicas. E tinha também as dimensões da arte contemporânea como a performance e a intervenção urbana.


·         SOBRE O FORMATO DAS REUNIÕES, ACERCA DAS DISCUSSÕES TEXTUAIS, PREPARAÇÃO PARA AS AÇÕES, ETC., COMO VOCÊ CONSIDERA A SUA PARTICIPAÇÃO? PODERIA PONDERAR? OU SEJA, COMO VOCÊ SE VÊ E SE MOVE DENTRO DO AGRUPAMENTO?

Percebo que minha atuação é muito intensa e sempre me vejo propondo ações, textos para leitura e estudo, publicando regularmente em nosso blog. Além de ampliar essas reverberações para outros espaços como escolas, seminários de arte e em minha produção acadêmica (tanto no mestrado como agora no doutorado em andamento na Escola de Belas Artes da UFMG). Interessa-me também muito as pesquisas diferentes da minha, pois aí realizo conexões e sinto que minha formação se solidifica. Tento me mover com flexibilidade e generosidade, pois numa rede colaborativa de criação é sempre perigoso nos tornarmos totalitários. Sempre fico atento a escutar os outros, fortalecer as pesquisas coletivas e alimentar a rede com os meus desejos, indagações, buscas.

·         FALE UM POUCO SOBRE AS LINHAS DE PESQUISA QUE VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES DENTRO DO OBSCENA, CONSIDERANDO TAMBÉM OS EIXOS DE INTERVENÇÃO URBANA, AS LINHAS TEMÁTICAS ACERCA DO FEMINISMO, GÊNERO, ENTRE OUTRAS; FALE LIVREMENTE.

 Hoje penso que nosso grande projeto é a questão do espaço público e a produção de ações artísticas, interventivas e compositivas que dialoguem e tensionem a cidade. Debaixo desse amplo “ guarda-chuva” brotam outras linhas temáticas como: corpo, gênero, espaços privatizados, artivismo, festa, violência, dramaturgias do espaço etc. Também dialogamos sempre com outros coletivos artísticos da cidade e com movimentos sociais. Acho que tudo que se refere à produção de um espaço urbano mais humanizado nos interessa. A cidade somos todos nós!


·         SOBRE OS PROCEDIMENTOS ARTÍSTICOS QUE OBSCENA REALIZA NAS RUAS E EM DEMAIS ESPAÇOS PÚBLICOS, COMO VOCÊ PERCEBE A PARTICIPAÇÃO DOS TRANSEUNTES? COMO O OBSCENA AFETA A CIDADE A PARTIR DE PEQUENAS FISSURAS, AÇÕES EFÊMERAS, ETC.?

Nosso interesse sempre foi ir para a rua numa tentativa de conversações cênico-poéticas com pessoas da cidade, e na maioria das vezes, gente fora do circuito estabelecido da arte. As questões que produzimos nos afetam, tentamos afetar a cidade e somos afetados pelos transeuntes. Há todo tipo de reação: curiosidade, gentileza, espanto, incômodo, agressividade e indiferença. Quando as pessoas se aproximam ou interrompem seu trajeto devido a alguma interferência nossa, acredito que uma ponte se estabelece. Aí perdemos a autoria e nos abrimos ao imprevisto e ao inusitado. Nessa possibilidade de encontro alguma coisa acontece e a ação artística se desdobra, ganha novas camadas, que sozinhos não teríamos como perceber. A comunicação na cidade na maioria das vezes se efetua pela mediação (seja nas propagandas, placas, outdoors, formações) e nós propomos a interação que pode ser sensorial, imagética ou sonora, e com a linguagem sempre no desvio, no sentido da eficiência. Tentamos provocar ruídos na paisagem. Nos chamam de loucos, vagabundos, artistas, manifestantes etc. Eu recebo essas expressões de bom grado. Gosto de perder a autoria para ganhar a relação, a tensão, um momento de encontro. As afetações que provocamos não dá para avaliar, fato é que somos mais provocados do que tudo. Acho que essas provocações urbanas não são disputas de poder pelo espaço, são apenas tentativas temporárias de criar pequenos respiros, trocas mais afetivas, vulnerabilizar espaços às vezes tão áridos e duros. Como amaciar o concreto? Esses dias em minhas andanças pela cidade li uma frase grafada num muro: “ Tédio urbano, sufoco cotidiano”. Então é isso: tentamos oxigenar poeticamente a cidade, criar aparições extraordinárias, colorir ou desautomatizar um pouquinho do cotidiano. Às vezes dá certo, outras vezes somos nós que nos transformamos pelo contato com as ruas.

·         FALE UM POUCO SOBRE A SUA PARTICIPAÇÃO NOS PROJETOS ATUAIS E AS REVERBERAÇÕES NO AGRUPAMENTO.

Atualmente temos muitas frentes de pesquisas e atuações em outros lugares e uma certa dificuldade de articular tudo isso junto ao obscena. Vivemos um momento mais desarticulado da pesquisa, isso inclusive gera crises e até deserções. Há sempre um conflito entre o instituído e o instituinte. A meu ver os projetos atuais apontam para parcerias com outros coletivos numa tentativa de reinvenção. Nessa instabilidade vivemos atualmente e são oito anos de trabalho continuado, talvez até seja natural uma entressafra, fato é que o momento pede novos movimentos, novas formas de funcionar, pesquisar, colaborar. Por outro lado, o agrupamento atualmente é investigado em quatro pesquisas de mestrado (na UFOP e na PUC-SP) e duas pesquisas de doutorado (UFMG). Talvez seja um tempo de reflexão e pausa necessárias, mas certamente o próximo ano (2016) será decisivo para os rumos do trabalho.


Belo horizonte, Dezembro de 2015.

segunda-feira, maio 16, 2016

Notas delirantes para desafogar sapos poéticos - “CAMINHO”- GRUPO SAPOS E AFOGADOS

Cuspindo notas, sensações e afetações: - Imagens de Tarcísio de Paula





Espetáculo imagético

Poesia visual

Corpos performáticos

Dançatividade

Performatividade

O delírio que produz saúde

O ensaio das formas

Tempo da percepção do espectador

Sinestesia

Nomadismos

Poéticas do encontro

“SE O CORPO É CAPAZ DE ABRIR-SE ÀS FORÇAS, ELE PODE FAZER ECOAR NOVAS FRAGILIDADES E AÇÕES “ (Fonseca, 2008)



Ato criativo como ato político

Obra em aberto

Imagens que escapam do sentido

Teatro em fuga

Vazios e cheios

“O PODER CONSTITUINTE SE DEFINE EMERGINDO DO TURBILHÃO DO VAZIO, DO ABISMO DA AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÕES, COMO UMA NECESSIDADE TOTALMENTE ABERTA. É POR ISSO QUE A POTÊNCIA CONSTITUTIVA NÃO SE ESGOTA NUNCA NO PODER, NEM A MULTIDÃO TENDE A SE TORNAR TOTALIDADE, MAS UM CONJUNTO DE SINGULARIDADES, MULTIPLICIDADE ABERTA” (Negri, 2002).

Caminho, pedra, água, ar

Perdi o ar algumas vezes!......

Aquilo que carregamos

Bagagens



Estados ativos do corpo

Diamantes

Quem me conduz?

Olhos nos olhos

Acontecimento da vida

“VOCÊ FICARÁ MAIS CORAJOSO E LÚCIDO DIANTE DESSE NOSSO MUNDO TÃO DIFÍCIL DE SER ENTENDIDO” (nise da silveira)

Estéticas de si

Re-invenções

Do lento e do rápido

Dança dos sentidos

humano, demasiado humano

Imagens contam

Ela penteia seus cabelos

“O HOMEM QUE POSSUI UM PENTE E UMA ÁRVORE SERVE PARA POESIA (...) CADA COISA ORDINÁRIA É UM ELEMENTO DE ESTIMA” (Manoel de barros)

Sonho, luz, aparições

Dramaturgias do afeto



Presenças, nascenças

Sapos cuspidos

Espectadores afogados

Somos pó

Terra

Não havia mais pedras no caminho


Choveram delicadezas....