agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

quarta-feira, abril 26, 2017

espaço dos encontros- café obscênico

no terceiro café Denise Pedron terminou a conversa lendo pequenos textos da Eleonora Fabião sobre a força dos encontros!

no último café Dona Margarida trouxe textos impressos para distribuir para todos os presentes e novamente o tema do encontro!!!

espaço comum com muitas falas se ENCONTRANDO e todos de alguma forma construindo esse lugar afetivo e aconchegante numa rua da cidade!!!!

Vamos sentir saudades dessas conversas regadas a café, afetos, provocações e encontros sem fim!....

ARTE, CIDADE E VIDA!!!





domingo, abril 23, 2017

Algumas questões sobre festejar na cidade

1  Conseguimos de fato deambular e criar ambiências festivas ou nos fixamos num único lugar?

-  Quanto tempo é necessário para se instaurar um espírito festivo?

3  Precisávamos de mais tempo livre ou tempo indeterminado para a festa acontecer?

4  O foco foi deambular ou o ato de se deslocar para o Sesc Palladium e lá festejar?

5   Conseguimos convidar pessoas da rua e dos bares para adentrar o espaço do Sesc?

  Como não controlar fluxos e corpos?

7  O que se perdeu e se ganhou nessa experiência? O que se revelou? Foi “fracasso e sucesso”?

   O que se alterou em relação às experiências já vivenciadas?

9   É possível se “repetir”, se voltar à essa ação? De que forma?

1  O QUE PODE UM CORPOFESTEJAR?

quinta-feira, abril 20, 2017

a cidade polifônica

Conversas públicas

Os nossos cafés de rua têm se revelado como uma ação potente! Está se tornando um ponto de ENCONTRO! Bonito ver as pessoas voltarem para conversar, no mínimo temos umas seis pessoas que participam ativamente desde o primeiro dia. No geral as pessoas são passantes que páram e ficam um tempo com a gente!!!  Essa dimensão de CONVERSA PÚBLICA é muito bonita, presenciar a circulação de ideias e diferentes olhares sobre arte, a cidade como espaço de CONVÍVIO mesmo.... Tem algo no campo do afetivo, da experiência estética e cidadã se encontrando e nesse momento de fala e escuta somos todos ARTISTAS. De fato, a voz da rua ganha espaço e as pessoas agradecem a gente e ao SESC Palladium esse retorno de uma "communitas" mesmo, ainda que temporária. 





Em nosso terceiro café (que teve a presença de Denise Pedrón e sua caixa de surpresa) um homem de repente presenteou um rapaz com um livro! Isso é tão significativo. A senhora que vem de Santa Luzia e traz uma garrafa de chá prá compor a mesa de café, enfim, GESTOS mínimos nessa celebração coletiva. Uma mulher cadeirante que foi ao cabeleireiro no centro e de repente descobre o café e vem nos contar sua experiência de não acessibilidade nos espaços públicos e culturais.  E nós, propositores e artistas, de fato AFETADOS com perguntas tão importantes, e mais: questões sem fim, mas que tornam o fazer artístico mais poroso aos contatos. Não é apenas a ideia de recepção, prá mim é PRODUÇÃO no campo da arte, do pensamento, da política, da cidade, dos espaços culturais. Uma criação de um corpo coletivo, espaço de trocas, debates, liberdade de estar, sair, comer, levantar, atravessar a roda... Falar e não falar.

A comunicação urbana é potencialmente visual e principalmente informativa. Existem as narrativas da cidade e sobre a cidade, como existem as narrativas dos habitantes. Do anúncio de vendas ao CONVITE para uma conversa, prosa com café! O deslocamento do doméstico para a via pública numa ocupação-LUGAR sem portas ou paredes. Todos podem se aproximar!!!! Todos podem falar. Cidade falada e escutada. Multidão de murmúrios, expressões, ruídos e textos:

“Das polifonias urbanas. Múltiplas vozes, até mesmo dissonantes, que desenvolvem uma criatividade não subalterna e que deve empurrar para a frente, que não é quieta e nem se acomoda. O paradigma inquieto de uma cidade que deve ser vivida de dentro e de fora”. (Cidade Polifônica. Massimo Canevacci, 1993).



sexta-feira, abril 14, 2017

Do crível ao incrível na cidade


A finalização da oficina “Tatuagens urbanas: inscrições no corpo da cidade” foi com uma ação coletiva de caminharmos pelo centro urbano e lermos textos diversos para as pessoas. Na obra “ A Invenção do Cotidiano” de Michel de Certeau há um capítulo sobre caminhadas na cidade que articulo com minha experiência vivida recentemente na oficina. Certeau vai aproximar as enunciações linguísticas e textuais às enunciações pedestres vendo nisso um percurso análogo. O jogo dos passos e o jogo das palavras (sentidos), moldando espaços e tecendo lugares de encontro, afeto, estranhamento e conflito.  Gestos próximos a alagamentos, desvios, vazios, elipses e re-escrituras  na vida ordinária da cidade.

Nessas aproximações entre práticas espaciais e práticas significantes, o referido autor vai identificar três instâncias: o crível, o memorável e o primitivo. Seriam dispositivos simbólicos presentes e ao mesmo tempo fugitivos à sistematicidade urbanística. O crível estaria ligado a ideia de legenda, o memorável seria o aspecto da lembrança e o primitivo abordaria o sonho.

O crível como habitável é o que permite a funcionalidade da vida urbana com seus códigos e normas. O memorável como aquilo que se repete pelo exercício da lembrança e pode presentificar ausências. E o sonho, como o infantil, aquilo da categoria do lúdico, de uma erosão à uma certa racionalidade e dimensão adulta presente nos espaços.

Um dos encontros mais bonitos que tive foi com um jovem trabalhador de uma pequena mercearia no centro da cidade, que ao me ouvir lendo trechos da obra de Clarice Lispector, também afirmou que a vida é absurda. E me apontou num canteiro localizado na Av. Augusto de Lima uma ÁRVORE que por dois anos foi sua casa. Ouvi narrativas tão surpreendentes desse jovem que escolheu viver debaixo de uma árvore, que o crível se transformou em incrível.  O EXTRAORDINÁRIO VIVER!!!!

O livro do mundo mais surpreendente do que o livro poético! Matheus habitava a casa do jovem e depois leu para ele alguns poemas que trazia. Para Douglas que espaço seria aquele? Sua casa e sua rua e sua cidade? Público ou íntimo? Entre-lugar? Lugar de quem?

Foi nessa caminhada obscênica que experimentei a subversão das legendas (códigos de leitura e usos da cidade) pelo memorável e pelo sonho! O deslizar e deslocar nas superfícies legíveis cria na cidade planejada uma cidade metafórica e subjetiva.  Aquela árvore para mim ganhou agora nome, identidade, memória, singularidade! Aquele canteiro agora se tornou um lugar tatuado em minha pele.

“UMA ENORME CIDADE CONSTRUÍDA SEGUNDO TODAS AS REGRAS DA ARQUITETURA E DE REPENTE SACUDIDA POR UMA FORÇA QUE DESAFIA OS CÁLCULOS” (KANDINSKY APUD CERTEAU, 1994, p. 191).

Mas talvez uma força mínima, quase uma "arte fraca", a tática como astúcia na visão de Certeau. Uma cidade surpreendida por uma tática de carne que desafia e subverte os cálculos e  o planejamento de pedra, numa alusão ao livro de Richard Sennet. 

Um cruzamento de duas táticas nessa experiência: a tática ordinária de Douglas com a criação de sua casa-árvore em meio à cidade e a produção de uma tática poética de nós, experimentadores da cidade, o que nos permitiu pela ARQUITETURA DOS ENCONTROS celebrar arte e cotidiano como elementos extraordinários.

Isso de repente é arte? Isso é de repente cidade? Penso que isso é cidade SEMPRE, em suas suburbanas e impensáveis marcas e inscrições. Enunciações mínimas e profanas. Gestos clandestinos. Tatuagens e atuagens humanas. Das legendas inscritas às sub-inscrições temporárias.


quinta-feira, abril 13, 2017

Corpo e cidade- relato da oficina (fala do Raiô)


Imagem de: Lorena Zchaber

"A experiência de vivência na cidade foi forte definitivamente. A ideia de que a cidade é pulsante, viva e cheia de estímulos ficou nitidamente estabelecida no momento em que me dispus a entrega e ao momento.  falta de domínio sobre a situação é um incomodo , que foi superado, e mais ainda , de um determinado momento  em diante eu quis não ter controle , apenas receber e doar de maneira natural compondo com a cidade .As inscrições me pareceram fundir entre cidade-corpo-cidadão-artista de modo indissociável . De maneira permanente fui afetado, percebi que determinados movimentos são subitamente denunciados como proibidos na cidade, simplesmente por não compor com o fluxo. Experimentar a coletividade na performance foi muito gratificante. Enfim muitíssimo obrigado a todos pela experiência. (Já quero mais)"
Raiô

Isso de repente é arte?

ISSO DE REPENTE É ARTE?

Alegria de comemorar dez anos do Obscena com uma intensa programação de atividades no Sesc Palladium (BH) no mês de abril.
Cafés-conversas na rua, ações interventivas e compositivas, produção de vídeos, oficina e festa!!!






Nos “cafés-conversa” a possibilidade de conversar sobre arte na rua com passantes, artistas, convidados e todos que desejarem colaborar! O primeiro café foi mais intimista e surgiram temas como dom, talento, acessibilidade, quem define o que é arte, misoginia etc. Já no segundo utilizamos um microfone que foi um atrativo para chamar pessoas e criar curiosidades. Os temas foram artesanato, o mercado de arte, sobrevivência, arte e política, arte e ocupação de espaços urbanos! Percebo polifonia, dialogismo, conflito de opiniões, espaços de convívio, desejos de trocas reais... Uma ação sempre no imprevisível, no equilíbrio precário de quem fala e de quem escuta, na partilha da comida, sempre perigosa porque pode se tornar uma aula acadêmica ou uma discussão vazia..... Mas o mais interessante: todo mundo fala, opina, pergunta, atravessa. corta, sai, chega, liberdade de estar, entrar, sair, interromper, parar para comer, propor conversações.




Na oficina “Tatuagens urbanas: inscrições no corpo da cidade” tivemos a oportunidade de trocar nossas práticas com diferentes pessoas e juntos tatuarmos e atuarmos no espaço urbano. Das marcas inscritas na cidade às inscrições poéticas (plásticas, visuais, corporais) que produzimos. Da atividade à receptividade. Dos mapas impostos e funcionais à criação de mapas subjetivos e afetivos.  No primeiro dia uma caminhada silenciosa e coletiva para se deixar imprimir pelas vozes, forças, velocidades e inscrições presentes no corpo urbano. No último dia uma caminhada com livros para inundar a cidade de palavras faladas e escutadas. Cantadas. Sussurradas. Nós com os livros impressos de literatura, teatro, poesia e manifesto em diálogo com os livros do mundo, as vidas cotidianas, o contato com os impossíveis e as narrativas anônimas que habitam a cidade!
Nos vídeos “Atos 10:34”, as imagens dessas cidades invisíveis, tatuadas, coloridas, cidades falantes, marcadas pelo conflito, pelo afeto, pela memória, pelo encontro, pelo medo, pelo desejo de comum....

Isso de repente é arte?
O que é arte, de repente?
O que é isso?


Alegria de voltar prá rua...... estar na rua! Ocupar a rua!!!!! Abraçar a cidade!!!!!

Isso é uma escrita tatuada pela experiência tão intensa e viva desses últimos dias!!!


Isso de repente é arte? Isso é vida.

Cartografia passante II : vozes da cidade

Aqui completo mais expressões escutadas na ação Irmãos Lambe-lambe realizada hoje de manhã em frente ao Sesc Palladium. Matheus publicou suas impressões, agora seguem as minhas:


" o que tá acontecendo aqui? Isso é para que? Eu não gosto de tirar retratos. Eu não estou bonita para ser fotografada!!! Eu acabei de sair do dentista... Que situação diferente é essa! Deus te abençoe! Fica para a próxima vez! Eu estou correndo agora.... A foto pode ser coletiva? Posso fotografar com meu celular?




Eu não sei o que é arte. Mas vocês estão muito modernos! Eu passo aqui depois... Eu lembro dos lambes no parque municipal, mas você não era nem nascido! Não, muito obrigado! Parabéns pela proposta! Daqui a pouco vai chegar mais gente! Isso é um trabalho de escola e vim aqui! Eu não sei o meu CEP de cor... posso te dar o endereço de outra pessoa pra receber pra mim? Carta é coisa do século passado. Eu só quero saber o que significa isso. Ah: lambe e você o outro lambe! Eu não sei escrever direito, a minha letra é feia... Arte pode ser feia sim!!! Falou que é de graça é comigo mesmo... Tem exposição aí dentro? Mas vocês vão mandar a foto mesmo?"


Cartografia errante

Cartografia Poética realizada a partir do encontro com a ação "Os irmãos lambe-lambe"
com Clóvis Domingos e Leandro Acácio 


Vias que se abrem ao contato 
estacionamento de graça?
meu nome não está na lista
pode parar, mas pede para alguém me comunicar
placa GPE3136
cadê eles?
Chegaram
cavalete, quadro, cadeira, 
carregamos.
Foto de graça?
correios?
carta pelos correios
nossa, quanto tempo eu não mando cartas...
experiência de tempo
no tempo
ta com tempo?
pode sentar?
é de graça?
não cobra-se pela foto?
é de graça?
tem plaquinha com frases?
quero
um eixo: de repente isso é arte
a complexa questão: o que é arte? con-tem-po-râ-ne-a
extemporânea
intempestiva
ai, não sei
eixos sem centros, no centro da cidade
podemos tirar uma foto todos juntos?
Vai viado, brilha
pára com teatro
faz a Madonna
aproveita o sol
é de graça?
recebo a foto em casa
passa o endereço
tem medo?
passa o endereço de alguém
é para presente
presente
é de graça
alguém da produção pode arranjar
uma mesa para os irmãos colocarem a programação do SESC
ou as bolsas dos transeuntes
tem uma exposição lá dentro também
parece que é bem legal
de graça
Eles são irmãos gêmeos?
Como eles são parecidos
Um é tão calmo, o outro tão elétrico
Elétrica calmaria interrompe os cursos
Ele tem irmão gêmeo mesmo, 
idêntico
mas são totalmente diferentes
Vai ao salão,
 tem hora marcada
volta depois!
tira uma foto antes e depois!
Uma imagem implode os sentidos
Procuro-me?
Curo-me 
Curo
me
e
o que?

domingo, abril 02, 2017

obscena no SESC PALLADIUM em Abril

Estamos na programação do Sesc MG com uma série de ações formativas e interventivas!

Arte na rua!!!!


domingo, março 26, 2017

Irmãos Lambe-lambe em dose dupla

Ontem (25 de março) realizamos a ação "Irmãos Lambe-lambe" em dois eventos: 14 ATENTADO POÉTICO "ARTE PÚBLICA" na Fundação Torino e na programação da SEMANA DE TEATRO DO GALPÃO CINE HORTO (em parceria com a Casa de Passagem- GRUTA). 

No evento da Fundação Torino fizemos muitos retratos de famílias e contamos um pouco do trabalho desses fotógrafos de rua e como atuavam como "cronistas visuais dos espaços urbanos". De fato a ação é cênico-urbana, pois o ato lúdico de brincar com o tecido preto como uma "cortina" acabou por atrair muitas pessoas. E tem a questão das fotografias impressas e das cartas enviadas, o que causa sempre espanto e afeição!!! Havia no evento uma cabine na qual as pessoas imprimiam as imagens feitas em seus celulares na hora, mas com a gente era necessário esperar e aguardar a foto pelos correios! tempos mais lentos e nada de selfies!!!!!!



No evento no Horto foi ótimo fotografar e conversar com trabalhadores da rua e a cadeira e quadro num passeio foi um atrativo! Abordagens diferentes de pessoas que passavam por ali e conversas gostosas sobre a cidade!!!!!

Um sábado gostoso para trocar e conhecer pessoas diferentes!!!!!!!!

ENCONTROS QUE ALIMENTAM A VIDA NA CIDADE!!!!!

domingo, fevereiro 12, 2017

Uma pesquisa sobre o OBSCENA

Convidando!!!!


DIA: 15 de fevereiro de 2017 – quarta-feira

HORÁRIO: 09:00h

LOCAL: F-3112 – 3º andar - Prédio da FAFICH- UFMG

DEFESA MONOGRAFIA
AUTOR: JOSÉ NILDO BEZERRA MONTEIRO
TÍTULO: “ETNOGRAFIA DE AÇÕES DO AGRUPAMENTO LIVRE DE PESQUISA OBSCENA: PERFORMANCE COMO ESPAÇO/LUGAR LIMINAR DE AFETO”

BANCA EXAMINADORA:
Profº. Drº. Ruben Caixeta de Queiroz – Orientador (DAA/UFMG)
Profº Drº. Andrei Isnardis Horta (DAA/UFMG)

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Irmãos Lambe-lambe na Ocupação Estudantil do CEFET

No sábado dia 10 eu e Leandro realizamos mais uma vez a ação Irmãos Lambe-Lambe agora na Ocupação do CEFET. Foi uma manhã deliciosa com muitas conversas, trocas de ideias e criação de redes de afeto e luta. Mais uma vez vivenciei a força da juventude, seus corpos festivos e políticos, sua consciência social e desejo de uma escola e vida alternativas.

O que se presencia é diálogo, horizontalidade, divisão de tarefas, cuidado, cada um à seu jeito mantendo o espaço o mais agradável possível e resistindo a seu modo!

Eles gostaram de utilizar nosso quadro "PROCURO-ME", mas também sugeriram imagens em locais outros como rampas, corredores, pátios etc. É o ambiente escolar de fato subvertido em lugares de convívio, cultura e rodas de conversa!

As ocupações estudantis oferecem ALTERNATIVAS DE VIDA, o que é diferente de demanda de Poder! Vida, luta, cotidiano coexistem e a insurgência é coletiva com corpos se rebelando contra uma escola triste, mecanizada e sem vida!

É contra o capitalismo que hoje essas ocupações lutam contra, ou melhor, criam espaços outros, HETEROTOPIAS mesmo, inauguram espaços comunitários e tentam praticar uma vida mais coletivizada seja no diálogo, lidando com um individualismo presente em cada um de nós sempre, mas que vai sendo desconstruído aos poucos, um poder que vai se enfraquecendo.....



Impossível não pensar em redes de criação e colaboração, como acredito e alimento no agrupamento obscena, essa possibilidade de trocas, contaminações, essas micropolíticas.... somos multidão! Há uma novo tempo surgindo aí, mesmo que tudo pareça e esteja tão repleto de trevas...

Ainda aconteceu uma oficina de teatro que fiz com os ocupas ontem e assim começaram a construir uma ação artística para a manifestação amanhã na cidade!

Hoje voltei com as imagens reveladas para devolver o trabalho para eles, bom demais ver a alegria, me sentir parte dessa mobilização muito maior, essa semente, essa força!

segunda-feira, novembro 28, 2016

tese de doutorado sobre o OBSCENA

Mais uma tese de doutorado em Artes que investiga o trabalho do Obscena:


"ENTRE A METRÓPOLE E A CIDADE SAGRADA:
 UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE O OBSCENA- AGRUPAMENTO INDEPENDENTE DE PESQUISA CÊNICA ( BELO HORIZONTE) E O GRUPO TRANSEUNTES ( SÃO JOÃO DEL REI)

MARCELO  EDUARDO ROCCO DE GASPERI ( UFMG- 2016).   




domingo, novembro 20, 2016

Falando do Obscena amanhã

amanhã farei na ocupação estudantil do CEFET uma comunicação dentro do evento "COLÓQUIO CORPO POLÍTICOS: RESISTÊNCIA E OCUPAÇÃO". Momento urgente para se discutir novas redes de criação, organização, política e produção de corporrealidades.

Todxs convidadxs!!!!

Meu tema: "Literaturas ambulantes e corpos poéticos na performance urbana Cadeiras ((OBSCENA/BH)"



o que pode uma visita? Uma visada? uma outra vista?

Pode a visita ser uma forma de pesquisa, nomadismo, alteridade e encontro com outros modos de existir, agrupar, criar e resistir?

Sinto necessidade de novas andanças, "em-danças" com aquilo que não sei, não conheço, mas preciso experimentar!

Andar para presenciar processos de criação artística e social, cidadã, me co-implicar com histórias outras!

Visitar e trabalhar com estudantes secundaristas de uma ocupação escolar e juntos inventarmos ações poéticas. Isso será uma política do corpo?




Visitar um ensaio e um processo de criação e conversar sobre ele, trocar, aprender, contaminar....

Isso é rede, roda, rua, rodopios criativos, rota incerta.....

Isso para mim OXIGENA práticas, saberes, conceitos, desejos, percepções, imagens.....

Isso para mim é praticar a cidade!!!!!! Deslocar, sair de casa, sair da toca, do dentro para o fora.

Aberturas, brechas, fendas, afetos....

sábado, agosto 20, 2016

sonoridades maravilhas

Hoje novamente voltamos a incendiar a Casa de Passagem!

Sonoridades maravilhosas... maravilhas.... com direito à homenagem a eterna criança Elke Maravilha.



Num tempo de forte conservadorismo vamos cantar Lidoka ( As Frenéticas), Elke, enfim, mulheres sempre à frente do tempo!

A atualização é um dos vetores principais desse nosso show-experimentação. Então como não ensaiamos, vamos colocar gravação da Elke e propor um forró bem gostoso, bem corpo- a-corpo mesmo!

Vai ser bapho! Delicia! Maravilha!

é o que maravilha podemos fazer hoje... na urgência!!!!!

segunda-feira, junho 20, 2016

O que somos capazes de imaginar juntos?

Queridos obscenos,

No último sábado aconteceu o IV Seminário Subtexto em Diálogo (promovido pelo Galpão Cine Horto com organização de Marcos Coletta) com a proposta: “O TEATRO POLÍTICO NO AGORA: TEMÁTICAS E EXPLORAÇÕES ESTÉTICAS URGENTES”. Um dia inteiro com discussões e conversas muito inquietantes e ricas. Estávamos lá eu, Nina, Fred, Matheus e Saulo e vários artistas-pesquisadores que fazem parte de nossa rede obscena.


Seria muito importante depois reservarmos um tempo para estender esse encontro com todos do agrupamento!

Imagem de Saulo Salomão 


Na mesa redonda “POLÍTICAS, ENGAJAMENTOS E IDENTIDADES NA CENA CENA BELORIZONTINA” pude falar e pensar um pouco sobre nossos modos de fazer, ocupar e agir na cidade. Não representei ninguém, falei por mim, mas de alguma forma ecoei essa voz meio “multidão” que também sinto ser nossa.


Então foi impossível não falar em rede, colaboração, corpo, cidade, cena expandida, resistência, espaços comuns, coletivo de pesquisa, o político nos modos de fazer, o político como interrupção, a “desaprendizagem” como aprendizagem, os desejos individuais e coletivos, arte como pensamento, as perguntas mais do que as certezas etc.


E agora me vejo ainda pensando sobre tantas outras questões que surgiram coletivamente nesse debate: como disparar novos acontecimentos? Como vincular minhas necessidades às tuas? Por quê fazer arte coletivamente? Como fazer da opressão uma linha de fuga para a criação? Como de fato fazer arte ser algo público e que dialogue com a vida social e não apenas nos guetos artísticos?


Contei das nossas ações festivas como esse possível lugar de participação e afirmação dos espaços comuns. E também dos conflitos que não devem cessar. Das nossas práticas como “agonísticas” no sentido de serem combates temporários numa cidade ameaçada a se tornar hegemônica, isto é, com discursos unitários, pretensiosamente harmoniosa, e livre das contradições, pluralidades e lutas que a configuram de fato como espaço polifônico, multidiscursivo, território multi-subjetivo.


Penso que fazemos uma obscena: uma “cena atravessada”, não murada ou protegida, com presenças e desejos sempre potencializados, vulnerabilizados e ressignificados pelo CONTATO com os outros. A EXTERIORIDADE como política.


Somos um coletivo flexível, conflituoso, contraditório, estranhamente durável, que com o passar do tempo temos tentado criar formas de imaginação coletiva para nossas práticas de criação e para a cidade. Somos processuais, precários e desejosos. Somos cena expandida porque nos vejo como “fios soltos” dessa rede obscena fazendo coisas muito próximas e ao mesmo tempo diferentes, em lugares outros: sejam grupos, instituições, espaços, eventos etc.


Somos imaginadores, fazedores e tumultuadores!


Tumulto: desestabilizar conceitos, lugares, certezas, caotizar para liberar vida e pensamento, fazer micropolíticas. Contra as forças que tentam privatizar arte e espaço, que possamos continuar corpos públicos e festivos a instaurar espaços de resistência, políticas na ágora e no AGORA!

Abraços,

Clóvis.



domingo, junho 19, 2016

Conversas sonoras e obscenas

Diálogos com Matheus
CLÓVIS: kkkkkkkk
Começou....
TEUS: ok!!!
CLÓVIS: Eu fiquei pensando se o sonoridades seria uma pesquisa.
TEUS: pra mim já é
CLÓVIS: De quê?
TEUS: de desembestar
Os corpos
todos desembestam, a meu ver
fio de ariadne
CLÓVIS: Sei....
Como assim?
TEUS: andamos entre a loucura e a arte
entre o teatro e a vida
CLÓVIS: Legal....
Tem a produção da alegria
TEUS: sim, vc conhece esse conceito de alegria que a Patrícia Ayer traz?
vou colar aqui:
ta na minha dissertação
NORONHA, Patrícia Ayer de. Uma perspectiva dionisíaca no trabalho social: afirmação da vida. Psicologia em Revista, Belo Horizonte. 10. v., 14. n., dez., 2003, p.134. “Segundo Deleuze, é a alegria que faz fugir à peste da servidão a qualquer tipo de poder transcendental: do Modelo, do Método, do Tirano e do Sacerdote, do Eu, da Especialidade, do Estado, do Bem, do Ideal de Verdade, do Igual. Potência que não tem representante, nem governante, avessa a qualquer forma de opressão; é a força propriamente política, autogestionária e instituinte das formas de subjetivação, das relações e das práticas sociais potentes.”
CLÓVIS: Que forte!!!
TEUS: uma ótima relação com a performance né
CLÓVIS: Sim.....
A festa como modo de existência
sim!!!
Fora da produção capitalista e do trabalho dos corpos
TEUS: tudo haver com a gente
CLÓVIS: Sim. E também fico pensando em como produzir festa na rua....
TEUS: carnaval?
CLÓVIS: O show é pago e para um público bem específico...
Consumidor mesmo
TEUS: sim, se bem que o público da gruta é diferente dos CCUFMG
mas na rua....
tudo seria mais intenso
e o jogo seria ainda mais arriscado
CLÓVIS: Sim. Mas na última vez lá na rua as pessoas chegaram e dançaram
E agradeceram os poucos momentos
Isso me marcou
Gente de fora da gruta..
TEUS: talvez valha a pena pensar num show no lado alí de fora da zona last
CLÓVIS: Ou mesmo começar o sonoridades numa esquina da gruta... Cantar pra rua, pros moradores dela....
TEUS: isso é lindo
CLÓVIS: Me incomoda, bem meu isso, fazer apenas para um público pagante....
Não pelo dinheiro, mas porque acho que na rua à vulnerabilidade é maior
TEUS: não me incomoda, porque preciso de dinheiro e é isso que tenho e sei fazer
sim
sem dúvida
é um terreno sem chão!!!
CLÓVIS: Mas a questão seria mais de se afetar pelo Fora....
Pensando nossas ações como experiências do Fora.
TEUS: claro, a rua vai sempre nos abalar mais
CLÓVIS: Ou conciliar um pouco sabe? Tenho percebido a prática artística urbana como exterioridade
Ir de encontro à ela....
Não sei se é possível
TEUS: acho que este Fora do meu eu, da minha consciência, do meu controle
é a rua
CLÓVIS: Sim.... Ou talvez porque estejamos nesse momento mais investindo no show...
TEUS: se a gente consegue atingir esse Fora em nós mesmos conseguimos entrar em conexão com essa exterioridade
CLÓVIS: Pode ser... Vou pensar mais.
TEUS: por isso gosto tanto do seu descontrole no último show
CLÓVIS: Nossa. Ia falar disso
Não era eu mesmo
Kkkkkk
TEUS: às vezes sinto que uma certa preocupação teatral, com uma arte profissional e não amadora pode empobrecer totalmente o acontecimento
amo o descontrole
CLÓVIS: Sim... Foi incrível, porque eu entrei num fluxo Dionísio
TEUS: o seu no último show criou, pra mim, mais conexão com o pessoal da platéia
Talvez... Descontrole
acomodou mais as pessoas, eu acho
CLÓVIS: E incomodou aos obscenos
Kkkkkkk
TEUS: sinto que quando paramos para refletir sobre o show, surgem certas exigências que, a meu ver, são de ordem mais teatrais
CLÓVIS: Eu desembestei!!!!
Kkkkkkk
TEUS: me incomoda, parece "os especialistas"
acho mesmo!!! desembestou total
lindo demais
CLÓVIS: Mas essas tensões são interessantes, geram questões vivas
TEUS: sim, as questões são mesmo
CLÓVIS: Eu não acredito em acabamento ali
e tensões
sim!!!
Pra mim é mais acontecimento!!!!
Desorientação dos sentidos pra produzir outros modos de vida
TEUS: lindooooo
pra mim tb
CLÓVIS: Mas o teatral sempre estará nos rondando....
A cena?
Eu quero a obs, cena
kkkkkkkkkkk
Para além da cena. Será possível ?
TEUS: teatro da crueldadeeeeeee
o duplo é uma existência outra!!!
a DObra!!!!
CLÓVIS: Pra mim a participação das pessoas conta muito.... Produzir festa coletiva.
O Wallace veio e traz questões ótimas
Corpo coral, atuador, espraiar presenças
TEUS: Maravilhosas
CLÓVIS: Sim.... Eu me sinto diluído com todo mundo.
TEUS: Estamos criando novas misturas festivas
CLÓVIS: Sim.
TEUS: Impuras e marginais
Mas que tocam no cerne das questões que mexem com todos
CLÓVIS: Sim. E tem a afetação recíproca né?
Acontecimento
Depois quero partilhar com você um texto sobre o descontrole do público....
Vou te enviar depois!!!!
Deu dez minutos. Obrigado!!!!


terça-feira, junho 14, 2016

Vocabulário [hilário] do show SONORIDADES OBSCÊNICAS

Do ANIVERSÁRIO de cinco anos apresentamos agora:
Um confabulário
Um obsceno abecedário
Um pornografário
Anedotário
Incompleto
Incerto
Incorreto
Expressões de um pornocenário
Um sexual inventário:


ALEGRIA: verdadeira política que transforma a vida e o mundo. “É melhor ser alegre que ser triste”.


ANTROPOFAGIA: devorar a noite, devorar corpos, alta antropofagia: comer o outro, misturar coisas, inventar possíveis, descolonizar lugares e conceitos.


BAPHO SONORO: diante à ameaça de asfixia, um sopro de vida, baforar, cheiro de boca sedenta, respirar outros modos de ser, estar e existir. Gemer, contrair, gozar, insuflar “ar quente” numa cidade fria.



BOCKET-SHOW: show que é gerado pela boca que produz sons, gemidos, gritos e canções. Performance oral. Performance teatral: mas não é beckett, é bocket. Não é “fim de festa”, é festa o tempo todo, meu bem!!!!


CABARÉ: algo musical, dançante, excitante, pulsante, escaldante, insinuante....


CARDÁPIO: daquilo que se oferece, se pode beber, comer, cantar, nutrir. Quanto mais variado e colorido melhor. Daquilo que fica exposto durante o show, roteiro, nada a esconder.


DIVERCIDADE: de se ver a cidade, diversidade de sons e propostas e desejos.


EXPERIMENTAÇÃO: o tempo todo, sempre, motor do acontecimento.




ÊXTASE: se perder, se encontrar, abandonar, corpo em vida, ritualizar a existência, celebrar os encontros.


FESTA: a grande busca, a instauração, o ócio, o desregramento, a linha de fuga para dias tão difíceis, a afirmação da existência, uma política que afeta, congrega, junta e mistura as diferenças.


GRUTA: nosso espaço, escura, úmida, misteriosa, tem que adentrar nela para se sentir o que é.


INÊS BRASIL GAMESHOW: graças a Deus, aos deuses, meus irmãos, essa noite pró- METE!


INFESTAÇÃO: contaminação, multidão, festa em ação, proliferação, estado de alegria, vida que a(bunda).


JOGOS SENSUAIS DE VERÃO: quanto menos roupa melhor!


MACUMBATUCADA: criamos um terreiro performático, sonoro, africano, ancestral, contemporâneo, poroso, clama forças e renova energias.


PERFORDANCE: corpo que balança, gira, roda, se relaciona, sua, desempenha, se refaz, cansa, potencializa, dança dos nervos, das sensações, das peles.


RYTO PÕE(SIA). Poesia visual, oral, corporal e ritual. Põe vida na vida, coloca fogo no corpo, põe, pão, pau, pêlo, puxa, pega na cintura, põe devagar agora, pula, “pilha humana”, pele arrepia, peste que contamina, poros abertos.


RUA: o que nos move, nos atrai, nos forma, nos des-loca, nos enlouquece, nos coloca em perigo e descoberta, nos traz encontros, nos revela diferenças e possibilidades, nos devora, nos acaricia, lócus para se fazer arte sensível. Dela recolhemos essas sonoridades obscênicas e benfazejas.


TEATRO DE REVISTA:  passar em revista fatos políticos e sociais do momento, mistura de linguagens artísticas, diferentes números e quadros artísticos, tem rebolado, o duplo sentido, a paródia, o sexual, a ironia, o kitsch, o grotesco, o carnavalesco, no final a APOTEOSE.


TRANSA: corpo a corpo, contato, troca, evento, encontro sexual e poético.




TRANSCEDANCE: aquilo que transcende, acende, vai além, transtorna, dança dos sentidos.


TRO(PICA)LIENTE: show tropical, brasileiro, saliente, ardente, gera calor nos trópicos baixos, tem pau-brasil, tem pica-pau.


TUMULTO: arruaça, confusão, caos, desordem, aglomeração. Barulho excessivo. Pode estar nos espaços da cidade. Quando aparece ameaça à ordem e aos bons costumes e a polícia é acionada. Em nosso show ele é sempre bem-vindo, às vezes provocado, já se faz presente nos ensaios de preparação.





VERMELHO: nossa cor predileta. Lembra sangue, paixão, calcinha, batom, coração, motel, intensidade. 

(Imagens da querida Marúzia Moraes)