agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

quarta-feira, setembro 23, 2009

A criação de novos olhares através do exercício artístico/teatral

Segunda-feira , noite de 21 de Setembro de 2009 , recebemos a visita de Christina Fornaciari, performer, atriz, professora do Curso de Artes Cênicas da UFOP e fez mestrado na Inglaterra sobre "Performance e Direitos Humanos" focando o trabalho teatral nas prisões.

Sua visita se tornou especial ( partiu de um convite de Erica Vilhena) pelo fato de que no próximo sábado iniciaremos o projeto "DIÁLOGOS OBSCÊNICOS" com as jovens internas do Centro de Reeducação Social São Jerônimo aqui em Belo Horizonte. Nossa proposta nos próximos dois meses é tentar um díálogo artístico com essas jovens mulheres a partir de uma série de procedimentos artísticos e performáticos.

A conversa com Christina foi muito interessante devido a alguns aspectos abordados por ela, tais como:

- Ter calma no processo de trabalho dando cada passo em consonância com o ritmo e tempo do grupo e valorizando e incentivando cada momento vivido. É importante começar do mais fácil para que cada uma possa se sentir capaz de participar das atividades.

- Valorizar aquilo que elas têm como refência cultural: música, filmes, revistas etc. São materiais que podem ser utilizados na criação e improvisação de cenas.

-Propor exercícios e atividades mais corporais e deixar que as palavras venham aos poucos, isto é, mais prática e menos teorizações. Uma vez que o corpo se encontre menos defensivo e mais relaxado e aberto, aí se tornam possíveis mais conversas e reflexões.

- Importante trabalhar com o audiovisual pela questão da imagem e depois a possibilidade de se verem e se reverem. No exercício artístico a RECRIAÇÃO DE SI MESMO.

- Os exercícios do Teatro do Oprimido do Augusto Boal são muito interessantes e apresentam perspectivas não somente artísticas mas também sociais e políticas.

-A proposta mais potente é a abertura para novos olhares e pontos de vista sobre o mundo, o Outro e si mesmo. Não trata-se de um procedimento de reabilitação, mas a possibilidade de experiências novas, singulares e capazes de produzir deslocamentos e descobertas.

- Instalações corporais, de objetos pessoais ou construídos, enfim, a dimensão plástica e performática de variadas atividades. Falar do pessoal para se chegar ao universal.

Acredito que oferecer a PRESENÇA HUMANA já se configura como poética e política da existência. Fica nosso desejo de continuar dialogando com Christina.

Um comentário:

Erica Vilhena, vulgo Nêga. disse...

Pois é, Crovito, percebo que inté agora eu fui mais uma presença humana para estas meninas do que qualquer outra coisa. Nestes sábados anteriores o que me foi possível como ser humano fazer foi me deixar conhecer e me aproximar delas. Corpos fechados, rostos marcados, palavras duras e poucas e eu ali com toda minha boa vontade e desejo de conhecer e ser conhecida. Agora é hora de plantar e sinto-me mais firme diante a elas. Bora cavucá pra prantar!!!
Obrigada Christina por sua presença mais que humana.