agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

terça-feira, setembro 15, 2009

cadê o salto no escuro?

sim, um tempo de muita ação. empenhadas no fazer, carregadas de compromisso, nós mulheres nos lançamos à aventura de fazer correr baby dolls...

da última interferência realizada em belo horizonte, em 05 de junho de 2009, à próxima, a ser realizada no próximo dia 17, na praça da estação, muitas coisas aconteceram.

estivemos em ouro preto e em mariana, palco histórico de uma cultura católica e machista. novamente as meninas interagiram completamente com a boneca joyce, negra que que se transmuta em loira boneca rosa (como já tinham feito na praça sete, no dia 05). elas brincam com ela com brincariam com suas bonecas. e brincam com seus corpos como se também fossem, elas mesmas, bonecas. bonecas em série. a poderosa imagem de erica dona de casa santa santo orixá ganhou beleza especial no altar da praça tiradentes. mas lá quase (quase?) resvalamos em espetáculo, perdendo a dialética necessária à construção do estranhamento que queremos. fomos simpáticas. desejadas. amadas. faltou o nó amargo. de minha parte, me pergunto: será que tenho sido muito condescendente em meus escritos a giz no chão? como lidar com as meninas sem perder a potência da ação? o que escrever em seus corpos de criança marcados no chão? como relacionar estes corpos aos outros corpos de mulheres mortas?

em seguida, fomos para o festival de são josé do rio preto, onde iríamos enfrentar o não lugar, bar do festival. como fazer tal ação naquele espaço de diversão? como não sermos engolidas? a experiência foi exaustiva, confesso. não foi fácil segurar aquele espaço. mas acho que conseguimos, mesmo assim, garantir um mínimo de atrito para o incômodo necessário às mulheres dondocas burguesas, fabricadas sob medida para o mercado da buceta, para a caça de todo dia. estas têm um "plus a mais": consomem cultura.

no dia seguinte, fizemos em uma praça, no centro comercial da cidade. primeiro sinal de uma percepção que a mip2, em agosto, veio a fortalecer: de que uma platéia constituída como tal altera o sentido da ação. como quebrar com as expectativas de um público já instruído? como garantir o estranhamento da ação em diálogo com esta espetacularização da forma? como romper com este lugar? o que é necessário para garantir a eficácia da ação? como garantir a processualidade desta construção e a manutenção dos espaços de experimentação e risco?

essas questões ainda estão latentes em todas nós, ou, pelo menos, em mim. baby dolls precisa novamente saltar no escuro. ou, pelo menos, eu preciso.

3 comentários:

Clóvis Domingos disse...

Nina, acredito na processualidade da ação e nas forças latentes nela, o que só o exercício da experimentação pode permitir o seu desvelamento....
Daqui a pouco uma destruição de formas, para uma re-construção e uma descoberta de como realmente criar uma interrupção no cotidiano da cidade e denunciar a violência mascarada e descarada não só contra a mulher, mas contra a vida humana. Pular no escuro para que algo se revele e possibilite um novo desejo de ação.
Clóvis.

Erica Vilhena, vulgo Nêga. disse...

Tia! Tava eu aqui construindo o tapete nosso de cada dia interventivo e vi-me já em processo. Cada um sai a seu modo e olhar as páginas soltas e as propagandas me dá a real ilusão de que 'ser mulher é tudo e muito mais'. O mundo gira em torno de nós ou nós giramos em torno e sob ele? cosméticos para minha pele ou minha pele para cosméticos? o que veio primeiro o salto alto ou os pés? enfim, objetos construídos para a formatação do feminino. o buraco negro somos nós, sou eu a deambular entre vitrines presentificando minha não adequação. Quanto menos boneca sou mais próxima me sinto delas.

Joyce Malta disse...

Táí,ler após a experiência de ontem na praça da estação, agrega ainda mais perguntas...
como estabelecer a ação em um espaço institucionalizado praticamente? percebemos mais uma vez o pouco atrito que a falta de fluxo das pessoas provoca...
pessoas imóveis na fila do ônibus, apenas virando a cabeça para acompanhar algo que lhes é estranho... distante... minha primeira marca foi próximo a elas...
acho a ação mais potente e sinto-me mais viva quando sou interrompida... meninas me montam e se montam... e por vezes deitam-se...
o bom é que estávamos tão protegidas, cercadas, não é mesmo? nunca vi tanta polícia na praça numa tarde qualquer! que eficiência... a nos assegurar? segurar?
enfim... rever as relações... com as fotos, espaços de cruzamento, polícia... questões que se acumulam após cada experiência... e sempre em movimento contínuo... a cada dia um tapete...