
agrupamento independente de pesquisa cênica
Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.
São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.
Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.
A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.
terça-feira, setembro 27, 2011
Fórum Diálogos Obscênicos
Conduza-me
segunda-feira, setembro 26, 2011
Palavras de Rosana Ferreira, atuante no processo 'Hystérias ou a Invasão do Y' em parceria com Erica Vilhena, vulgo Nêga Regina.
Belo Horizonte, 13/09/2011.
São 18:20 aproximadamente, tenho o compromisso em relatar sobre o tema intersexo,
onde me encontro inserida neste inter...
O começo é sempre o inicio...creio na primeira idéia exposta e o quanto é forte
em sua natureza. Ao analisar o tema, a própria ciência ainda não consegue
argumentar de forma sucinta o assunto ; as pesquisas em torno da matéria é algo mui
novo, e é provável que o processo de uma conjectura passe por caminhos já conhecidos:
engatinhar para dar os primeiros passos em algum lugar do futuro muito distante.O
estranho vira o “patinho feio” no mundo cientifico, e as divagações e reflexões chegam
ao ápice do absurdo nos consultórios médicos onde o analisado e o analisador se
deparam nas condições frágeis da questão e a falta de recursos para a efetiva resposta
levando-os ao um jogo do próprio inconsciente, onde se estabelece o mais forte para o
mais fraco, indo para um lugar ainda inexorável , por pender no alicerce da
medicina.A divagação é a luz tênue no fundo do túnel , mas o que se vê e o que se
sente é o sentido amplo da palavra: D E S C O N H E C I M E N T O.
domingo, setembro 25, 2011
O homem bomba e a mulher burka passeiam pelo centro da cidade
eles andam de mãos dadas.
de repente, ao cruzar a praça sete, eles são abordados por dois policiais militares, com arma em punho:
"mão na cabeça!" eles ordenam. o homem bomba rapidamente ergue suas mãos.
"você também!". também ergo as minhas. eles revistam o homem bomba, nos ordenam que coloquemos o rosto à mostra. pedem documentos. verificam nossa ficha criminal, fazem perguntas:
"vocês são punks?" "por que estão assim?" "o que estão fazendo?"
explicam que houve uma denúncia de punks e skin heads na praça, causando confusão. pergunto se é proibido andar vestido daquela forma, com o rosto coberto. eles dizem que não. a tensão inicial se dissipa e eles nos dispensam. mas aquilo já gerara o acontecimento: o circo já está armado na praça. as pessoas param, acercam-se, filmam e fotografam com seus celulares a cena de filme americano. a representação furando a realidade.
sábado, setembro 17, 2011
Sobre Dentro/fora "entre", Somos Cores e Formas e Sonoridades Obscênicas
Dentro, fora/ "entre" - espaços de performação:
Era 04 de a

Entramos: os de fora entraram com seus sacos de lixo coloridos! Os estrangeiros, em procissão, acompanhados por uma Ave-Maria, adentraram o espaço com suas trouxas repletas de surpresas. Um não-lugar passa a acontecer, a existir. Nada a explicar, apenas fazer. Já não tão brancos, o bando se espalha. Cheiro ruim, não é mesmo, minha senhora? Entre nós e aquelas pessoas lá presentes, um espaço aberto. E, com muito respeito, conforme observa Clóvis, escorremos entre o amontoado de restos, criando uma nova relação, informe por natureza. Na saída, carrinhos de compras de supermercados: o que habitualmente se carrega alí?
Somos Cores e Formas:

A libid

Fotos: Daniel Botelho eThiago Franco
quarta-feira, setembro 07, 2011
"Uma Piriguete com Salto Alto Fuleiro!" parte 01

Ação do Espelho em banheiros femininos de bares de BH - Projeto "SCARPIN-ME : jogo de imagem e desafio"

Aqui em BH os responsáveis pelo trabalho foram a Erica e Saulo, queridos obscênicos.

Troquei algumas impressões com a pesquisadora de lá, Flávia Macedo:
terça-feira, setembro 06, 2011
Conduza-me – quarta-feira, dia 31 de agosto de 2011

Ele me pede para chegar 30 minutos mais tarde, perto das 20h a porta da Gruta se abre. Eu estava mais aberta à sua presença, de certa forma ansiosa para a prática, ao longo da semana pensei muito sobre minha feminilidade e suas más formações ou seus desequilíbrios... dançar com este Rapaz me possibilita reaproximar-me dum corpo masculino, observando quais formas de tocá-lo, senti-lo e trocar com este de maneira harmoniosa e produtiva.
Durante estes sete dias que separaram nossa prática identifiquei inúmeras falhas no meu entendimento do que é ser mulher, do que é ser mulher em relação a um homem, o que é sustentar meu corpo frente a este masculino sem sucumbir, sem achar que devo me submeter para ganhar sua atenção, sem me iludir e forjar um príncipe encantando. Sua estatura se harmoniza com a minha, nossos corpos são pequenos e fortes, fica mais fácil acompanhar seu ritmo, seu quadril está próximo ao meu e percebo o fluxo da dança com mais clareza.
Ele estava decidido: _ me passa seu computador e HD pra eu fazer a lista de músicas.
Adorei!
Começamos com Billie Holiday e Louis Armstrong, uma doce canção, ele me conduziu com as pontas dos dedos e eu me soltei, quanto mais leve era o toque mais fácil era compreender qual direção seguir, qual ritmo empreender, onde me colocar, em qual parte de seu corpo eu deveria me orientar, foi preciso, suficiente. Em seguida um heave metal, ele então segura firmemente meus dedos com os seus e me puxa, corremos pelo salão, os dedos se agarram e é mais fácil quando ele está lado a lado comigo, nossos pés não se cruzam assim, seguem paralelos. A experiência foi maravilhosa, pus-me a pensar quantos e quantos passeios públicos podemos usar para sair correndo e correndo, os olhos vendados, tudo é possível, a adrenalina sobe sobe sobre... eu me rio, falo palavrões e meu corpo se solta no espaço, só os dedos só os dedos.
O chão é um local generoso de exploração, apoios, encaixes e sobreposições – criação de formas carnais afetivas e dinâmicas.
Sobre a intimidade. Esta é concretamente colocada, sinto-me em postas. Ele está muito perto, percebe todos os movimentos do meu corpo, quando me travo, quando me perco, quando me empolgo, não há como fugir ou fingir, é humano, é ritmo, é pulso. Percebo as imagens femininas em mim construídas pela cultura machista patriarcal é visível, são estas falhas e ausências minhas que preciso reorganizar. Preciso destruir e reconstruir outros símbolos, signos para estas relações, para as minhas afecções. Enfim, amanhã é feriado ainda não sei se dançaremos.
Hystérias ou a Invasão do Y
Retornamos aos trabalhos, Rosana e Eu. Ontem, no CCUFMG nossos corpos se puseram em exercícios de enraizamentos, os sons da cidade vinham das janelas cerradas e nos afetavam. Exploramos apoios e impulsos, o desgarramento do chão, subir, articular-se para ramificar-se no espaço, assim como as imagens que vimos das organizações cromossômicas – xx xy xyy xxy
Propus a Rô que experimentássemos um corpo órgãos aterrados e enterrado. Uma massa de carne terra que se propõe ao remodelamento e que está neste exercício. O Y que invade e instaura uma re organização do sistema até então empreendido. “Como você se sente tendo este par de peitos e sendo um homem?!” eis a questão que não devemos nos afastar, quem é este ser sexual/sensual/erótico que aqui se instaura e se re instaura. Quem é esta mulher formulada num corpo (interno) e hormonal masculino?
Rosana está no meio da sala, encolhe-se o máximo que pode, ela é grande, volumosa e arredonda-se, busca seu umbigo. A qualidade dos seus movimentos são também andrógenos são doces, pesados, leves e ríspidos. Ela manifesta suas qualidades fêmea macho e eu penso na terra que cobrirá este corpo. Este será nosso material de re instauração deste corpo ambíguo, não binário.
Hoje iremos navegar pelos links abaixo:
http://vilamulher.terra.com.br/transexuais-secundarios-e-treinamento-9-5080510-112085-pfi-luizaeduarda.php - (aculturação com gestos femininos)
http://vilamulher.terra.com.br/comunidade/mostra-frame.php?url=http%3A%2F%2Fwww.bccclub.com.br%2Fbcc.htm (crossdressers)
http://transexualeodireito.blogspot.com/ (blog de advogada que se especializou em casos de redefinição de nome e estado sexual)
http://vimeo.com/24371272 - (programa com Dr. Ronaldo Pamplona – Os Onze Sexos)
segunda-feira, setembro 05, 2011
"Uma Piriguete com Salto Alto Fuleiro!"

Relato Projeto Residência Scarpin-me – Cia Urucum de Teatro Dança-ES e OBSCENA-MG
Desejo começar meu primeiro relato no Blog do Projeto Scarpin-me dando asas à minha imaginação: Qual a outra mulher que você gostaria de ser? Eu? Eu, Erica de Vilhena Queiroz, que respondo por Nêga e poderia ter sido batizada como Bartira? Bom, eu tenho a dizer que meu anseio é ser ‘uma piriguete com salto fuleiro’. Sim, daquelas com micro shorts, bustiês e batom vermelho na boca. Dessas que se encontram pelas baladas, dançando no salão desvairadamente e se jogando em quem é o alvo do seu desejo! Esta imagem me levou a uma busca do significado da palavra piriqguete e sua origem, os links abaixo são no mínimo instrutivos:
http://revistatpm.uol.com.br/reportagens/sera-que-voce-e-piriguete.html
http://www.manualdocafajeste.com/2008/11/30/como-uma-santinha-vira-uma-piriguete/
http://desciclopedia.ws/wiki/Piriguete
É incrível os discursos sobre as piriguetes e o mal que elas fazem à sociedade e, o mais incrível é que ninguém menciona o bem que o machismo faz ao mundo com essa massa de homens há séculos usando as mulheres, engravidando-as e pulando fora para comer outras e outras amém. Bom, indignações à parte e sem levantar a bandeira do piriguetismo creio que esta imagem feminina muita pano dará para minhas investigações junto à Cia Ururcum de Teatro Dança, no projeto de Residência com o Obscena, agrupamento independente de pesquisa cênica.
Assim sendo experimentarei daqui de BH meu corpo piriguete e proponho um primeiro objeto de modificação corporal = um salto alto. Eu literalmente não sei caminhar com este artefato e será para mim uma aculturação piriguetista. Experimentarei este no trabalho que desenvolvo junto ao Obscena, especificamente no trabalho ‘Sonoridades Obscênicas’, um misto de música e poesia num tom erótico erudito, uma exploração espetacular dos materiais que coletamos em nossas intervenções urbanas.