agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

segunda-feira, junho 15, 2009

a vida chama


Dia 15 de junho
A vida chama. Acordo à nove e onze da manhã, 9+11=20=2, o duplo, a parceria, la vie. Mais um casal chega às últimas conseqüências da violência doméstica: a filha de uma conhecida, 16 anos, é assassinada pelo marido em frente a filhinha de pouco mais de um ano. A vida chama. O que eu farei, através do meu trabalho de ações/situações criadas pela cidade para depor contra tal realidade que assola a humanidade. Pessoas se matam diariamente, destroem a vida do outro aos poucos ou a retiram dum só golpe, como se deu ontem com esta moça. E como ela outras mais pelo Brasil e mundo.
O que seu trabalho significa? Alguém na rua me pergunta. É necessário que eu escreva uma legenda para que chegue mais fácil? As mulheres são as que mais questionam, os homens sacam, comentam. Nós estamos emburrecidas mulheres? Pergunto-me aonde estão as mulheres? Pois nas bonecas nós tropeçamos todo santo dia.
É necessário lutar. Minha arma de combate: minha ação nas ruas. Montar a ‘santa dona de casa martirizada’ em BH tem sido esclarecedor quanto à forma feminina de pensamento difundida na cidade. O culto à beleza da carne da mulher como artifício propulsor de vendas e manutenção da indústria capitalista é evidente nos corpos e atitudes femininas. Saltos. Calças jeans com lycra, cabelos ‘suuuper liso’ prancha de cerâmica e escovas hidratantes à base de inúmeras matérias primas: frutas, fermentados, chocolates... mulheres em série, como aponta firmemente a ação de Joyce. A realidade que vivemos é tão emburrecedora, a alienação é geral e para mim é necessário criar ostensivamente ações e situações que tragam à tona fortes interrogações acerca do que construímos como sociedade diariamente. Quais ações temos em relação a sociedade na qual vivemos? Nossa atitude cidadã está tão anulada que somos levados a crer que não há nada a se fazer senão trabalhar cegamente, pagar as contas, gerar mais filhos e tudo isto em prol de uma grande máquina desumanizadora de gente.
A vida chama.
Nêga.

3 comentários:

Nina Caetano disse...

ai, Nêga!
é isso... às vezes até desanimo, parece tudo em vão. as mentes não se alteram um milímetro. a quem podemos atingir?
talvez, só a nós mesmas

als disse...

Erica, Nina, Joyce...
vocês atingem, tenham certeza.
incrível o trabalho.
pesquisa riquíssima.
como disse à Érica, gostaria de participar de alguns debates do grupo. Fica também o convite para o intercâmbio com Donceveo (www.donceveo.blogspot.com).
Grande abraço,
Ana Luisa Santos

Erica Vilhena, vulgo Nêga. disse...

Olá, Ana!
Que bom receber sua visita aqui no Blog! Fico feliz em saber que o trabalho toca, mas para quem está do lado de dentro, como eu, é necessário manter o estado de alerta para não caírmos no 'mais do mesmo'!
Obrigada!