agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

segunda-feira, maio 28, 2012

performatite - a cena inflamada. um breve resumo.

de 20 a 22 de maio, estivemos em ouro preto para o encontro de coletivos das di-ver-cidades, dentro do circuito performatite. e isso, pro obscena, foi uma felicidade, pois, desde o ano passado, estávamos projetando um encontro como esse, que possibilitasse a troca de práticas, a conversa e o broto de novos projetos junto a coletivos com os quais já havíamos iniciado um diálogo. juntou-se a isso, a oportunidade de pensá-lo dentro do circuito performatite, a partir da proposta de seu coordenador, weber cooper. o circuito integraria a 8ª semana de artes, coordenado pelos alunos do departamento de artes da ufop.
casou a fome com a vontade de comer. e lá estávamos nós, com mais quatro outros coletivos que, de algum modo, tinham, como a gente também tinha, sua história entrelaçada com a ufop e com ouro preto.
alguns eram coordenados por professoras que já haviam injetado, em sua passagem pelo departamento, esse vírus, essa inflamação da performance nos alunos de lá, e que agora estavam fazendo isso em outros cidades/estados, como a sandra parra - professora da uel e coordenadora das incríveis laranjas podres performáticas (londrina/pr) - e a eloísa brantes, professora da uerj e coordenadora do coletivo líquida ação (rio de janeiro/rj).
outros tinham surgido de grupos de pesquisa, de uma formação que integrava professores e/ou alunos do curso de artes cênicas do deart/ufop, como o próprio obscena. eram eles o n3ps - nômades permanentes pesquisam e performam, coletivo com o qual o obscena já vem trocando práticas e experiências e que é integrado por clarissa alcantara, que também foi professora do deart; e o coletivo quando coisa, este legitimamente ouropretano, ou seja, formado por pessoas vindas de outros lugares, todos alunos e egressos da ufop (paulinho maffei, everton lampe, marcelo fiorin, bárbara carbogim, thálita motta e henrique rocha) e também coletivo com o qual já havíamos trocado práticas.
o encontro de coletivos, em si, foi maravilhoso.
embora tenhamos tido pouco tempo para a conversa dentro do próprio encontro, a prolongávamos no bar, e dava certo. claro que, ainda assim, o tempo foi pouco. muito pouco.
ah, mas as práticas... ah, as práticas... daqui a pouco falo delas.
queria que os alunos tivessem aproveitado mais esse momento. poucos apareceram e nenhum esteve presente o tempo todo das trocas, participando de todas as ações. isso me fez pensar sobre a efetiva troca com a universidade, pois vi os alunos participando somente nos momentos mais claramente acadêmicos, como a palestra e a mesa-redonda. nós, que participamos de tudo, podemos dizer (eu, em meu nome): aproveitamos muito! (sinto, somente, não ter podido participar da ocupação deart, evento que também fazia parte do performatite e que era uma mostra dos projetos/trabalhos dos alunos do departamento, mas foi necessário prolongar o tempo do nosso trabalho entre coletivos).
no primeiro dia, após a palestra do leandro - que começou com um forte atraso, o que prejudicou o nosso encontro depois - tivemos pouquíssimo tempo para conversar e pensarmos juntos sobre como queríamos realizar nossas trocas, no dia seguinte, entre os coletivos e com os alunos do deart.
mas penso que as práticas superaram, em muito, essa ordem das coisas.
começou com a discotecagem, no próprio domingo dia 20. os obscênicos djs ninon, frida e djota arrasaram no comando da pista de dança, no bar tribus - o bar da semana de artes. claro, que com o insubstituível apoio do nosso homem, paupratodaobra, admarzinho fernandes...
dia seguinte, 9 horas da manhã, pronta para o trabalho. estávamos em menor número do que eu havia imaginado, a princípio. resolvemos, então, não separar mais em dois grupos e ficarmos todos juntos, fazendo a ação em conjunto. começamos com o ato/processo, proposto pelo n3ps: "é possível viver sem uma imagem de si mesmo?", era a questão que clarissa lançou como provocação.

foto de nina caetano

do ato/processo, experiência bastante forte, passamos para a dança com a cidade, proposta pelos laranjas podres. nesta, deveríamos sair aos pares e dançar a partir dos ruídos/estímulos da cidade. delícia.

vídeo de henrique rocha

na parte da tarde, como éramos praticamente os coletivos, resolvemos manter o grande grupo formado por todos nós e, juntos, partirmos para as ações coletivas. começamos com a maravilhosa proposta do coletivo quando coisa: fluxo queda. nesta, uma pequena fila indiana segue o fluxo de um transeunte, até que este é cortado. com o corte do fluxo, queda! a fila inteira caía ao chão.

vídeo de nina caetano

após o fluxoqueda, retornamos ao bloco b, para nos preparamos para um ritual, composto pela ação proposta pelo wagner, do n3ps, o bloco do silêncio, procissão que nos conduz à última ação do dia, o banho, proposta do coletivo líquida ação. que dia! intensidades.

foto de nina caetano

dia seguinte, era o dia do obscena. ou melhor, na parte da manhã, estavam concentradas nossas propostas e ações. pois, na parte da tarde, teríamos uma mesa-redonda em que todos os coletivos estariam presentes.
nesse dia, lamentavelmente, os laranjas podres não estavam mais com a gente e os alunos tinham desaparecido. então, éramos nós, líquida ação e quando coisa. resolvemos, então, pela simultaneidade (e possível incorporação) da ação coletiva "cadeiras", proposta pelo fred caiafa, às ações individuais dos pesquisadores do obscena. eram elas: o engaiolado do sorriso preso (matheus silva, incorporado pela joyce malta), os irmãos lambe lambe (clóvis domingos e leandro acácio), a mulher no palanque (lissandra guimarães) e mania de toalha, ritual de cura (saulo salomão). todos incorporaram as cadeiras - algumas intervenções, como o lambe-lambe, já trabalhavam com uma - e partimos para a rua, comigo e com fred também desenvolvendo nossas ações a partir do caráter mais aberto do que havia sido proposto por ele: experimentar, durante uma hora, relações com uma cadeira, no ambiente de rua.


fotos de thaís chilinque

eu, por meu lado, trabalhei com um elemento plástico: a cor vermelha. escolhi ser um bloco da cor, com todas as minhas roupas e acessórios em seus vários tons, exceto a bota que, como os pés da cadeira, eram pretas. equilíbrio. declive. pesos. experimentação de "pontos de vista" diversos. composições com as cores/formas da cidade. com as pessoas. esteve bom. quero mais.

foto de clarissa alcantara

3 comentários:

Clóvis Domingos disse...

Nina, um belo relato o teu. Deu uma "geral" nos acontecimentos da Ocupação Performatite. Realmente, os coletivos artísticos presentes aproveitaram bastante essa oportunidade e inflamaram os espaços da cidade. Queremos mais!!!

00performer disse...

Encontro de gerações, em geração de gerações... eita que é muita criação! VIVA!

Anônimo disse...

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