agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

quarta-feira, maio 13, 2009

"Construindo a Noiva"

A NOIVA


Ontem, 12 de maio, no mês das Noivas, eu e Lica colocamo-nos a produzir o seu vestido. Outrora este era composto por peças de outras roupas, agora ele é único e multiforme. Sem agulha e linha, sem tesoura ou botões, nós compomos sua veste cerimonial apenas com materiais de embalagens: plástico bolha - tapete; plásticos de embalagem - vestido e calda. A tiara não será esta. E a Noiva está pronta!



É crucial em nosso trabalho criar um estado colaborativo. Aprender a colaborar numa sociedade do consumo e da ordem. Compreender as necessidades do outro sem esquecer as suas. Fazê-las comungarem para assim criar um terceiro desejo: a criação de algo em comum e neste poder reconhecer a realização de um trabalho à tantas mãos forem necessárias.

Obrigada Bonecas Obscênicas! Tenho aprendido deveras com todas!

7 comentários:

Moacir disse...

Noiva Nouvelle Vague.

Erica Vilhena, vulgo Nêga. disse...

Ai, Bicha, só a Senhora para entender minhas referências cinematográficas, kkk!!!

Anônimo disse...

É importante tomar cuidado com o rotulo "teatro de pesquisa" isso as vezes envolve o trabalho de tal encantamento que noções estéticas e até mesmo teórica se perdem, claro, experimentar é sempre importante mas parece que as vezes é só uma masturbação sem fim...
e se for só isso mesmo, ótimo, mas eu noto que uma radicalização no trabalho de vocês é necessária, há apontamentos mas não há justamente isso a tal da radicalização...

Erica Vilhena, vulgo Nêga. disse...

Que ótimo! Alguém comentando nosso trabalho no blog que não nós mesmos! Bom, nosso caro ou cara amigo amiga ANÔNIMO coloca que falta radicalização em nosso trabalho, mas gostaria infinitamente que esta pessoa apontasse e comentasse o que entende por radicalização. Eu não sei se faço 'teatro de pesquisa', pois para mim este já é mais um rótulo como muitos outros. O que faço é criar minhas ações baseadas nas experimentações que venho desenvolvendo e acumulando desde o início do meu trabalho no OBSCENA. E o que é radicalizar? Este termo me soa um tanto quanto adolescente quando apontado fora de um contexto. Desejo que o ANÔNIMO aponte onde e como ele ou ela vê a possibilidade de radicalização e assim nós façamos de fato uma troca entre pontos de vista!
Obrigada, ANÔNIMO MA.

Moacir disse...

A natureza de uma pesquisa não é, necessariamente, radical. Associar premeditadamente tais noções pode levar o pensamento a cometer determinados equívocos que beiram o anonimato. Comentários assim me parecem impregnados de clichê, pouco sólidos. Mas pertinentes, desde que melhor elaborados. Enquanto isso... que o Obscena continue sendo o que é: Encontro.

Anônimo disse...

Bem, por exemplo a natureza de intervenção urbana que vocês colocam, deve-se pensar que a forma "teatral" com que vocês fazem se mostram de fato uma intervenção ou simplesmente um teatro na rua.
Nos posts mais recentes vocês afirmam que só uma pessoa chegou a intervir no trabalho de vocês, isso fica claro ao menos para mim que se dá um processo de afastamento (teatralização) do que vocês fazem e das pessoas que veem, como tal é claro que elas ficam inibidas de intervir pois aprendem desde pequena que arte é feita apenas para ser contemplada. Bem, é uma opinião sobre um ponto que vocês dizem explorar mas que quase sempre me parece ser o mais deficitário da pesquisa de vocês, que há um estudo,uma pesquisa, um questionamento sobre a mulher isso fica claro mas sobre um metodo não representacional me parece quase sempre que ainda assim é teatro e ainda assim há uma forte noção não de intervenção mas de personagem/persona/máscara e esse descolamento da realidade.
A intervenção de vocês não parece emergir desse cotidiano, mas ser instalada em um espaço (no caso a rua) como um bloco chamativo de uma espetacularidade, não se confundi com essa realidade que vocês querem intervir, já quando ela chega já é imediatamente apreendida como algo só para ser visto e que apenas com "autorização" pode ser manipulado ou sofrer intervenção de quem vê.
Bem, a questão do anonimo é só que me deixa mais tranquila para falar.

Erica Vilhena, vulgo Nêga. disse...

Companheira Anônima! Agora sabemos que é uma mulher, ótimo!
Compreendo suas questões e provocações e digo que eu, por exemplo, estou em busca de ferramentas e artifícios que tragam de fato as mulheres para dentro do meu 'tapete'. Tenho experimentado já há algum tempo e mudanças e mudanças já fiz na minha abordagem. Em nossa última 'exposição' obtive mais simpatia na reação das mulheres, Joyce por exemplo teve a companhia de uma menina por todo o tempo em que trabalhou. Lica, sempre recebe a intervenção das pessoas quando está trabalhando com a 'Noiva'. Creio que o meu trabalho afasta um pouco mais as pessoas por eu ficar estática e esta imagem sugerir mais a contemplação do que a ação. Eu de minha parte não tenho o desejo de me mimetizar com o resto da cidade, meu intuito é realmente me destacar, logo não concordo com o que coloca que temos o desejo de não alterar a paisagem urbana, seria até ingênuo da nossa parte querer isto uma vez que trabalhamos com imagens tão desfocadas da realidade. Parece-me que está havendo uma confusão com teatro do invisível, logo algo que emerge da realidade, e nossa proposta, que é uma super valorização da imagem cotidiana. Nós temos o objetivo de fazer uma exposição de bonecas, logo isto não pode ser desconsiderado. Portanto 'OCUPAMOS' o espaço urbano para tal ação. O exercício é trazer o as mulheres transeuntes para dentro, aí é que pega a questão da espetacularização. Como você mesma diz as pessoas estão acostumadas a contemplar, óbvio, e nossa empreitada é descobrir por quais meios conseguimos quebrar este conceito tão fixado em nossas ações diante de um trabalho teatral. Concordo com o termo máscara, mas não com persona e personagem. Creio que utilizamos de máscaras como lentes de aumento. Este é um ponto que estou tomando consciência agora, é um processo. Agradeço suas palavras e desejo que continue a nos provocar.