agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

sexta-feira, julho 23, 2010

breve relato de viagem

festival de inverno de garanhuns. ah, pernambuco! mais uma vez passamos tão rápido que só posso dizer: ainda preciso mais de você!

20 de julho, terça-feira, 07:49 da manhã. acordo sobressaltada! esqueci de colocar o despertador e daqui a dez minutos seu gilberto vai bater na minha porta. embarque para garanhuns! às oito estou pronta para partir (davi vai me matar de saudade).
seu gilberto passa recolhendo todas as babies: depois de mim, lica, joyce e nega... aeroporto, avião. felizes! rio de janeiro. conexão recife. 15:36 de la tarde: recife... ah...
chegada ao aeroporto de lá, carro para garanhuns! que chique... vamos de tucson (o carro é lindo, um arraso, mas o porta-malas não nos cabe. inveja da zafira de seu gilberto...)
17:03 saímos do aeroporto, rumo ao festival. joyce arrasando na direção, com unhas rosa choque (já prenúncio de sua "barbie" baby boneca). três horas e meia depois, estávamos na cidade fria (é verdade, lá faz frio. mas não tanto... o negócio é que garoa...). o povo, como sempre, especial e caloroso (elias, carlinhos lira, fofos).
mas estávamos exaustas e após reconhecer e escolher o espaço de nossa intervenção, fomos comer e dormir na casa que a produção alugou para receber os grupos. dia seguinte, às 9:30 da manhã, a van viria nos buscar.
às 08:20 levantei-me e... garoa. garoa. e garoa. o dia inteiro, sem trégua. as ruas molhadas. o ponto lindo que havíamos escolhido - com lojas, casinha de polícia, marquise branca e porta de santo antônio - já com poças e suave garoa de tempos em tempos... o que fazer?
lica indaga se existe algum tipo de galeria coberta ou algo tipo um shopping... e a lembrança vem: mercado! apresentamos em mercado, em casa amarela recife! não há um mercado municipal, público, na cidade? eles relutam, mas por fim nos apresentam ao mercado 18 de agosto. perfeito! bem popular, com lojas que vendem a granel, vendem roupas, vendem carne... (mais tarde ficamos sabendo - infelizmente, só depois que realizamos o trabalho lá - que o lugar é ponto de prostituição. na verdade, ponto de exploração sexual de meninas, de adolescentes).
pronto! é aqui que vamos fazer. rapidamente voltamos ao ponto de apoio - a hora já avançava, já eram quase três... - para que joyce e lica se aprontassem, bem como a nega. eu, claro, já tava pronta (como não sou atriz, estou sempre "pronta", armada com meu giz).
lica resolveu sair do ponto de apoio e ir caminhando até o mercado. eu a acompanhei e foi bem interessante vê-la agir na cidade (linda e singela como estava, causou comoção na população masculina local): vê-la posar na marquise/tenda branca, cenário perfeito para sua noiva... interagir com os guardas, posar em frente à casinhola da polícia... posar em frente à porta de santo antônio, vê-la chegar ao mercado.
cruzar com as outras performers... segui a noiva um tempo. logo algo começou a se instaurar no lugar, era perceptível a surpresa, o interesse sobre a natureza do que estava acontecendo (ao mesmo tempo, no entanto, uma equipe toma conta do local, evidenciando sua natureza de evento: câmeras, apoio).
vejo joyce se instalar num ponto, montar seu tapete pink de pelúcia. a nega circula pela local, lúgubre figura de saco preto na cabeça (seu enigma permanece até o fim). vou encontrá-la em meio aos açougues e bares do segundo andar.
lissandra arma seu nicho junto aos grãos a granel, no qual já posara de noiva e proprietária. logo, os corpos começam a cair, logo a transformação (ah, soubesse eu da história do lugar! mas a produção também é estrangeira - de recife - e também desconhece a natureza dos espaços. como ter essas informações a tempo para poder jogar com elas na ação? elias comenta como havia sido preciosa nossa participação, primeira ação a acontecer no local: agora eles iam considerar o mercado como possível para a ocupação do festival). apesar disso, o universo parece conspirar a nosso favor e o impacto não é menor. não tocamos menos. afinal, essas meninas circulavam por lá, bem como os homens que as prostituem. as pessoas da cidade circulavam por lá. uma senhora, no final, chorava. marlene. depois ficamos sabendo o por quê: uma mulher de sua família havia sido morta pelo homem que devia amá-la... afinal, falamos de coisas que estão acontecendo o tempo todo em todo lugar. aqui, isso é inegável. aqui, como sempre, as mulheres estão sedentas e interagem.
ao final, distribuo o giz entre elas: elas desenham, escrevem.
acabamos já em cima da hora de partir para recife (em função do nosso vôo) e saímos, sob a neblina, ainda a tempo de lá chegar e tomarmos a merecida cerveja em um samba na rua da moeda, no recife antigo...
ah, pernambuco! os nossos encontros apenas começaram...

Um comentário:

Erica Vilhena, vulgo Nêga. disse...

Oh, Recife!!!! Um satélite na cabeça!!!!! Com é maravilhoso pisar e agir nessa terra, como somos gratas a este solo! Olorum Modupé, Axé!!!!