o obscena, como quem nos acompanha já sabe, acabou de aprovar o projeto corpos públicos, espaços privados? invasões no corpo da cidade no edital cena aberta do ccufmg, no qual passamos a ocupar uma sala desde meados de novembro.
como encerramento de nossas atividades do ano e abertura do projeto no centro cultural, realizamos, nesse fim de semana, a mostra diálogos obscênicos. (não seria melhor chamar de fórum?, uma vez que não tem tanto um caráter de mostra - como bem lembra clóvis - mas antes de espaço aberto para a troca e o debate...)
na mostra (fórum?), para mim o ponto alto foi o diálogo de experiências que fizemos, no sábado pela manhã, com o vago coletivo, formado por davi pantuzza, elisa marques e nian pissolati. antes disso, na sexta, na atividade de abertura, tivemos uma conversa muito boa, apresentando nossos trabalhos e projetos, com o pessoal do olho nu, que, juntamente conosco e com a uma companhia, ocupa a sala 3 do ccufmg durante o ano de 2011, dentro da residência artística do projeto cena aberta.
voltando ao sábado de manhã: havíamos proposto ao vago um momento de troca de experiências em que eles "lançariam" uma prática para dialogarmos.
na investigação que eles estão realizando - chamada de sól-idos (não sei como eles grafam, mas como o sol é uma imagem - e uma energia - importante para o sólidos...) - há um jogo com o espaço a partir da apreensão das sombras com alguns materiais: giz, linha... esse jogo com o espaço (e, não menos importante, com o tempo) acaba criando paisagens: teias, marcas, corpos dimensionados... e passagens (do tempo, no espaço inscrito...).
bem interessante perceber essa dilatação/percepção do tempo, sua expansão a partir das marcas de sua passagem.
também achei bem instigante a tentativa de apreensão/marca do momento da inscrição, da marca da mão que inscreve... (bom, virtualmente impossível, mas instigante o rastro que deixa)
algumas belas imagens - lembradas por davi - marcaram também a leitura desse experimento: a percepção de uma outra cidade sob a cidade (de nian, me lembra uma imagem distante de william, inspirada em calvino: estopim para a experiência com mulheres mortas), por exemplo.
essa cidade sob a cidade, construída pelas pequenas marcas, dejetos, rastros de passagem do ser humano que me salta aos olhos a partir do momento em que me demoro em seus espaços, em que me relaciono com seus volumes mínimos, em que olho para o seu chão. para suas paredes, onde as sombras se projetam.
sem contar as próprias "imagens" produzidas por essa nova paisagem, inusitada, e as ações que provoca: como da senhora que, para atravessar, se armou de uma canção religiosa e, tranquila, fez a passagem... como dos frequentadores daquela rua (espírito santo com guaicurus), logo se integraram à nossa investigação e propuseram, eles também, outros jogos...
essa troca acabou com gostinho de quero mais... muito mais.