agrupamento independente de pesquisa cênica

Composto atualmente pelos artistas pesquisadores Clóvis Domingos, Flávia Fantini, Frederico Caiafa, Idelino Junior, Joyce Malta, Lissandra Guimarães, Matheus Silva, Nina Caetano, Paulo Maffei, Sabrina Batista Andrade e Wagner Alves de Souza, o Obscena funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea que visa instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas. Também participam dessa rede colaborativa obscênica os artistas Admar Fernandes, Clarissa Alcantara, Erica Vilhena, Leandro Acácio, Nildo Monteiro, Sabrina Biê e Saulo Salomão.

São eixos norteadores do agrupamento independente de pesquisa cênica, o work in process, os procedimentos de ocupação/intervenção em espaços públicos e urbanos e os procedimentos de corpo-instalação, além da investigação de uma ação não representacional a partir do estudo da performatividade e do pensamento obra de artistas como Artur Barrio, Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Atualmente, o Obscena desenvolve o projeto Corpos Estranhos: espaços de resistência, que propõe tanto trocas virtuais e experimentação de práticas artísticas junto a outros coletivos de arte, como ainda a investigação teórica e prática de experimentos performativos no corpo da cidade. Os encontros coletivos se dão às quintas-feiras, de 15 às 19 horas, na Gruta! espaço cultural gerido pelo coletivo Casa de Passagem.

A criação deste espaço virtual possibilita divulgar a produção teórico-prática dos artistas pesquisadores, assim como fomentar discussões sobre a criação teatral contemporânea e a expansão da rede colaborativa obscênica por meio de trocas com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse.

domingo, agosto 14, 2011

Isso é uma GARI-PERFORMANCE? Isso arde.

" Como será (des)contextualizar os restos e materialidades intensivas da rua para a galeria?
Será destacar formas e cores? Esses materiais vão ganhar outro olhar e outras identidades por estarem no espaço de Dentro? Fluxos de naturezas deiferentes:
Ser resto
Ser Lixo
Ser arte
Ser (de)Composição.

Isso é só um resto do meu corpo
Isso é só um resto do corpo da cidade
Isso é só um entre-objeto...
Isso é só uma delicadeza
Isso é só um garimpo das nossas sobras
Registro e vestígio de nossas necessidades
Isso é só uma epifania do comum
Isso é só uma filigrana de dignidade das coisas abandonadas
Isso é só um corpo
Gilete, vidro, papel, comida, sabão Omo em pó.
Isso é só
o Pó
de nós mesmos...



Foto de Daniel Botelho


Isso será arte?
Arte
Arte
Arte
Arte
Arde
Isso arde?
Arde, arde, arde...arde
Ar,
ar,
ar...
Ar.....
AR!!!
Arte arde?
Anti-arte?
Arte-Art?


Entra que o mar abre!
Revela-ação.
Instala-ação.
Corporifica a ação.
Há beleza
No garimpar as miudezas
de nossos excessos.

Garimpa as miudezas
Garis-performers
performam
reformam
os espaços.

Isso é uma gari-performance?
Seremos garis e coletores
das formas e cores
da cidade?
Coleta
coleta
coleta!
Cor
letra
Cor
letra
coleta cor, letra, lepra, merda!

Salve o sujo!
Salve o amassado!
Salve o rasgo!
Salve o engasgo!
Salve o quente
e o frio!
Salve o barro!
Salve o BARRIO!!!

Isso é um objeto ou um dejeto?
Isso é um afecto.

Abre que o mar entra!
Abre que o Acaso chega
Abre que o pequeno aparece
Abre que a cidade te beijará
com seus restos
rastros
ratos
retos
ritos
rotos
arrotos
rústicos
ruídos
delicados
redondos...

Não existe sujeira
só existe delicadeza.
Não existe sujeira
só existe civilização.
E ISSO ARDE!..."

Clóvis Domingos.

(Texto escrito em vários momentos da manhã do dia 04 de Agosto de 2011, como um exercício de aquecimento emocional e perceptivo para a ação "Dentro, fora , Entre: espaços de performação" que o Obscena realizou para a inauguração do Sesc Palladium em Belo Horizonte).


domingo, agosto 07, 2011

"Dentro, Fora, Entre - Espaços de Performação"

Na última quinta, nós do Obscena, participamos da semana de inauguração do Sesc Palladium em BH e pudemos experimentar mais um desdobramento de nossas pesquisas. Nossa ação envolveu exercícios de deriva pela cidade, coleta de objetos e instalação desses objetos no foyer do Sesc. Uma experimentação e percepção de três tipos de espacialidade: dentro, fora e entre.

A sinopse que escrevemos juntos contendo a proposta:

"Como transitar ações, elementos e corpos entre o espaço da rua e o espaço da galeria? O fora é também dentro? Os de fora podem entrar? Encontro do corpo da cidade com nossos corpos, várias superfícies permeáveis e em contato. Liminaridades. Lugar entremeios. Entrecorpos, entrespaços, entrelementos. O que nos resta é derivar, experimentar, encontrar e ocupar".

Tivemos as presenças de quatro artistas da imagem e da fotografia participando dessa ação: Daniel Botelho, Daniel Proztner, Gustavo Cavalieri e Thiago Franco Ribeiro.

Começamos com um aquecimento coletivo, foram sorteadas 4 duplas que sairiam para a deriva carregando 4 sacos de lixo com as cores da coleta seletiva: azul, verde, amarelo e vermelho. E cada fotógrafo acompanhou uma dupla até a chegada na porta do Sesc Palladium. As duplas foram: eu e Matheus acompanhados do Daniel Botelho; Lica e Davi com o Gustavo; Saulo e Leandro com o Daniel Proztner e Erica e Joyce com o Thiago. Vestidos de branco, a sujeira da cidade imprimiria suas marcas sobre nossas roupas. Chegaríamos transformados e bem "limpos" para a luxuosa inauguração do Sesc.

Minha deriva com Matheus foi uma aventura. Levamos um tempo maior para nos conectarmos, mas depois o Acaso foi nos presenteando com belas surpresas e encontros maravilhosos. Um exemplo: de repente nos deparamos com as "casinhas" da coleta seletiva, isto é, 4 grandes caixas coletoras na Av. Bias Fortes e lá um senhor, Amadeus, nordestino que disse tomar conta dali. Sentamos com ele e conversamos um pouco, criando paisagens entre nossos sacos coloridos e as grandes caixas. E mais: os sacos pretos que habitavam aquele espaço. Depois levei um saco preto fechado, sem saber qual tipo de material estava ali, para a instalação do Sesc.

Dezoito horas. Ao som da Ave Maria nossos sacos coloridos eram puxados por um grande tecido vermelho, Erica com um vestido rodado feito de embalagens de produtos de beleza, transportava, como uma pomba-gira, nossas ofertas do Fora para o espaço do Dentro. O foyer era o Entre...

Joyce coletou as sonoridades urbanas, montou uma mesa de som que trazia ruídos e fomos aos poucos revelando nossos materiais abandonados e fazendo instalações momentâneas. A rua entrava na galeria e revelava as sobras, restos, excessos e cores... O público transitava entre tudo e algumas pessoas trabalhavam conosco. Mas mesmo estando dentro, eu, ás vezes me sentia fora e deslocado, ou então, "entre" esses espaços....os restos compunham juntamente com o luxo das senhoras bem vestidas que aguardavam o espetáculo que começaria no teatro logo depois.

Estávamos no entre-espaço, como num entre-ato de outros acontecimentos....as pessoas viravam as costas e assistiam belas imagens num telão e nós atrás remexendo nos restos e criando espaços, obras, paisagens, relações....

Alguns bons momentos: Joyce colocou funk e dançamos, levei um espectador para se deitar no tecido vermelho e montei para ele uma cama com os sacos coloridos e Lica fazendo um anúncio de inauguração do Condomínio, no caso, do próprio Sesc. Até nossa saída foi muito interessante e provocativa: o público formava uma fila para a entrada no teatro e alguns de nós saíram dentro de carrinhos de supermercado com os corpos cobertos de restos e objetos. Uma caminhada muito lenta, às vezes uma procissão se formava, e íamos olhando para as pessoas, interagindo com elas, tentando criar relações.

Os de fora entraram...mesmo que por muito pouco tempo!

segunda-feira, agosto 01, 2011

Entrevista com a Pesquisadora Josette Féral na Revista Urdimento

Link para entrevista realizada com a pesquisadora francesa radicada no Canadá Josette Féral na ocasião da ABRACE (Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas) em São Paulo.

A Urdimento é uma revista de Estudos em Artes Cênicas publicada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Entrevistadores: Julia Guimarães e Leandro Silva Acácio

Palavras-chave: teatralidade, performatividade, real na arte.